Ministério da Saúde destina R$ 900 mil para conter avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul

© Lúcio Bernardo Jr/ Agência Brasília

 

 

Aporte emergencial reforça vigilância, combate ao mosquito e atendimento em região com aumento de casos

 

O Ministério da Saúde anunciou a liberação de R$ 900 mil em caráter emergencial para intensificar o enfrentamento da chikungunya na região da Grande Dourados, em Mato Grosso do Sul. O recurso será transferido em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde para o fundo municipal, com foco em ações de vigilância, assistência e controle da doença.

Segundo a pasta, o investimento permitirá ampliar estratégias como o monitoramento epidemiológico, o combate ao mosquito transmissor e o fortalecimento do atendimento à população. A medida ocorre em meio ao aumento de casos de arboviroses na região, que já mobiliza autoridades sanitárias em diferentes níveis.

Entre as ações em curso está a instalação de mil Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), tecnologia que utiliza armadilhas com larvicida para interromper o ciclo reprodutivo do mosquito. Ao entrar em contato com o produto, o inseto passa a disseminá-lo em outros criadouros, potencializando o controle vetorial.

Além disso, agentes municipais passaram por capacitação técnica voltada ao uso dessas novas ferramentas, conduzida por especialistas em vigilância de arboviroses. A iniciativa busca qualificar o enfrentamento da doença e ampliar a efetividade das ações em campo.

Outra frente importante é a atuação em territórios indígenas da região de Dourados, com ações conjuntas da Força Nacional do Sistema Único de Saúde e da Secretaria de Saúde Indígena. Já foram realizados mais de 100 atendimentos domiciliares nas aldeias Jaguapiru e Bororó, além de visitas a mais de 2,2 mil residências para eliminação de focos do mosquito.

Para reforçar a resposta local, o ministério também autorizou a contratação emergencial de 20 agentes de combate a endemias, que devem começar a atuar nas próximas semanas. Paralelamente, foi instalada uma sala de situação para coordenar as ações federais, com integração entre gestores estaduais, municipais e equipes técnicas.

Desde março, cerca de 34 profissionais da saúde — entre médicos, enfermeiros e técnicos — atuam diretamente nas áreas mais afetadas. A mobilização foi intensificada após alerta epidemiológico emitido por autoridades sanitárias indígenas diante do aumento de casos na região.

A chikungunya é uma doença viral transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, também responsável por dengue e zika. Entre os principais sintomas estão febre alta e dores articulares intensas, que podem ser incapacitantes. Em casos mais graves, a infecção pode levar à internação e até ao óbito.

Introduzido nas Américas em 2013, o vírus se espalhou rapidamente pelo continente. No Brasil, a circulação foi confirmada em 2014 e, atualmente, todos os estados registram transmissão, com expansão recente para novas regiões do país.