
Programa alcança mais de 8 mil pessoas e aposta em educação, reflexão e mudança de comportamento para promover cultura de paz
O Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria da Mulher, tem intensificado políticas públicas voltadas ao público masculino como estratégia de prevenção à violência contra a mulher. Com iniciativas como o Programa de Prevenção à Violência Doméstica (PPV) e a Assessoria Especial de Políticas Públicas para Homens (Assesph), a pasta tem levado ações educativas a ambientes majoritariamente masculinos, como canteiros de obras, empresas e órgãos públicos.
Criado em outubro de 2024, o PPV já alcançou, até novembro de 2025, um total de 8.269 pessoas em todas as regiões administrativas do Distrito Federal. Apesar de atingir públicos diversos, o foco das ações está em homens adultos e jovens entre 15 e 21 anos. Por meio de debates, oficinas e distribuição de materiais informativos, são abordados temas como a Lei Maria da Penha, masculinidades, saúde emocional e a promoção de uma cultura de paz.
A criação da assessoria específica para homens é considerada um marco institucional na busca por mudanças de comportamento e na promoção da igualdade de gênero. Segundo a secretária da Mulher, Giselle Ferreira, envolver o público masculino é essencial para enfrentar o problema de forma efetiva. Ela destaca que o combate à violência contra a mulher deve ser uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade, baseada em reflexão, informação e transformação de atitudes.
As ações são realizadas em parceria com outros órgãos do GDF e envolvem servidores e colaboradores em seus próprios ambientes de trabalho. Para muitos participantes, as atividades têm sido fundamentais para desconstruir tabus e ampliar a compreensão sobre temas como assédio e respeito nas relações.
O topógrafo Douglas Oliveira da Costa, de 30 anos, afirma que as palestras ajudaram a esclarecer conceitos importantes. Segundo ele, há muitos tabus entre os homens, e o acesso à informação permite uma reflexão mais consciente sobre atitudes do dia a dia. Já o operador de máquinas Jhadyson Junio do Nascimento Silva, de 26 anos, ressaltou a importância de discutir o tema sob a perspectiva masculina, especialmente em ambientes com pouca presença feminina.
A conscientização também tem impacto direto fora do ambiente profissional. O operador de telemarketing Douglas Alves Nunes, de 33 anos, destacou a relevância de ampliar esse tipo de debate dentro das empresas, considerando o cenário preocupante de violência no país. Para ele, as palestras ajudam homens a repensarem comportamentos e a buscarem alternativas ao uso da violência.
Na mesma linha, Victor Hugo Gonçalves de Morais, de 21 anos, observa que as orientações recebidas ultrapassam o ambiente corporativo e alcançam o convívio familiar. A iniciativa reforça que a transformação cultural depende do engajamento coletivo e da construção de relações mais respeitosas, dentro e fora do trabalho.









