segunda-feira, 22 de junho de 2026 00:00
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Taxa de inovação nas indústrias brasileiras recua pelo terceiro ano consecutivo, aponta IBGE

Marcelo camargo

 

Apesar da queda, maioria das empresas segue investindo em novos produtos e processos, com expectativa de ampliar gastos em P&D em 2025

 

 

O Brasil registrou, em 2024, um total de 10.165 empresas com 100 ou mais pessoas ocupadas nas indústrias extrativas e de transformação. Desse universo, 64,4% implementaram algum tipo de inovação, seja por meio de novos produtos ou pela melhoria de processos de negócios. O índice representa uma leve queda em relação a 2023 (64,6%) e confirma a terceira retração consecutiva desde 2021, quando a taxa chegou a 70,5%.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec) 2024, divulgada nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento revela um cenário de desaceleração gradual da inovação no setor industrial, influenciado por fatores econômicos.

Entre os destaques, empresas de maior porte continuam liderando o movimento inovador. Nas companhias com mais de 500 funcionários, a taxa de inovação alcançou 75,4%, indicando maior capacidade de investimento e adaptação tecnológica.

A pesquisa também mostra que 32,7% das empresas inovaram simultaneamente em produtos e processos de negócios em 2024, percentual inferior ao de 2023 (34,4%) e o menor desde o início da série, em 2021. Já as empresas que inovaram exclusivamente em produtos registraram a menor taxa do período (12,5%). Em contrapartida, houve avanço na inovação voltada apenas a processos de negócios, que subiu de 16,6% em 2023 para 19,2% em 2024.

De acordo com o analista da Pintec, Flávio Peixoto, o cenário econômico explica parte dessa retração. Segundo ele, o ano de 2021 foi atípico devido à retomada pós-pandemia, enquanto os anos seguintes foram marcados por estabilidade produtiva, redução nos investimentos e ազդեց pelo aumento da taxa básica de juros (Selic).

Setorialmente, a liderança em inovação ficou com a fabricação de produtos químicos, com 84,5% das empresas inovando, seguida pela fabricação de máquinas e equipamentos elétricos (82,1%) e pelo setor moveleiro (77,1%). Na outra ponta, a fabricação de produtos do fumo apresentou o menor índice, com 29,8%.

O investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) também apresentou sinais de desaceleração. Em 2024, 32,9% das empresas aplicaram recursos em atividades internas de P&D, o menor percentual desde 2021. Ainda assim, os gastos totais chegaram a R$ 39,9 bilhões, acima dos R$ 38,2 bilhões registrados em 2023, em valores nominais.

A maior parte desse montante veio da indústria de transformação, responsável por 85,4% dos investimentos (R$ 34,1 bilhões), enquanto as indústrias extrativas contribuíram com 14,6% (R$ 5,8 bilhões). Houve crescimento nos dispêndios em ambos os segmentos.

Outro dado relevante é o aumento no uso de apoio público pelas empresas inovadoras, que passou de 36,3% em 2023 para 38,6% em 2024. O principal mecanismo utilizado foi o incentivo fiscal à pesquisa e desenvolvimento e inovação tecnológica, adotado por 28,9% das empresas.

Apesar do cenário de queda nos indicadores, a perspectiva para o futuro é positiva. Segundo a Pintec, 96,4% das empresas inovadoras pretendem manter ou ampliar seus investimentos em P&D ao longo de 2025.