Bolsonaro segue na UTI sem previsão de alta após diagnóstico de pneumonia grave

 

Médicos afirmam que ex-presidente responde a tratamento hospitalar, mas risco de complicações ainda permanece

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) permanece internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular em Brasília sem previsão de alta. A informação foi divulgada pelos médicos responsáveis pelo acompanhamento do ex-chefe do Executivo, diagnosticado na sexta-feira (13) com broncopneumonia bacteriana bilateral.

De acordo com o cardiologista Brasil Caiado, ainda não é possível estimar quando o paciente poderá deixar a UTI. Segundo ele, a evolução do quadro depende tanto da resposta aos medicamentos quanto da reação do próprio organismo.

“Não podemos falar em data, porque na verdade nós não sabemos. Precisamos da resposta do medicamento e também do próprio organismo se defendendo”, afirmou o médico.

Quadro considerado grave

A pneumonia teve origem em um episódio de broncoaspiração, situação em que conteúdo do estômago, saliva ou alimentos acabam entrando nas vias respiratórias e atingindo os pulmões, provocando inflamação que pode evoluir para infecção pulmonar.

Segundo Caiado, o quadro é considerado grave, principalmente em pacientes acima dos 70 anos, devido ao risco de evolução para septicemia — infecção generalizada que pode comprometer diversos órgãos.

Por esse motivo, o tratamento exige internação hospitalar com uso de medicamentos intravenosos e monitoramento constante.

“Esse é o padrão para todo tipo de pneumonia broncoaspirativa em pacientes nessa faixa etária. O tratamento exige ambiente hospitalar, medicação venosa e acompanhamento 24 horas por uma equipe multidisciplinar”, explicou o cardiologista.

Risco ainda permanece

Mesmo com as medidas adotadas para estabilizar o quadro clínico, os médicos afirmam que o risco de morte ainda não está totalmente afastado. O cardiologista Leandro Echenique explicou que este é o terceiro episódio de pneumonia enfrentado por Bolsonaro, sendo o mais grave até o momento.

Segundo ele, mesmo após a recuperação, o ex-presidente poderá continuar suscetível a novas complicações respiratórias.

“Ele vai continuar nesse risco no futuro. Claro que medidas preventivas são tomadas, embora algumas sejam mais difíceis devido ao ambiente em que ele está”, afirmou.

Histórico recente de atendimentos médicos

Na semana anterior à internação, Bolsonaro passou por consultas e exames médicos na unidade conhecida como Papudinha, onde está preso, segundo relatório da Polícia Militar do Distrito Federal.

Os atendimentos ocorreram entre os dias 5 e 11 de março e foram realizados por Brasil Caiado e por profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Durante o período, o ex-presidente realizou caminhadas diárias e sessões de fisioterapia nos dias 5 e 9.

Ele também recebeu visitas de familiares, incluindo os filhos Carlos Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, além da esposa Michelle Bolsonaro.

Bolsonaro, que completará 71 anos na próxima semana, possui histórico de diversos procedimentos cirúrgicos e tratamentos médicos desde o atentado a faca sofrido durante a campanha eleitoral de 2018.