Família de Marielle acompanha julgamento no STF e cobra desmonte de estrutura criminosa

© Valter Campanato/Agência Brasil

 

Viúva e parentes das vítimas defendem condenação dos acusados e afirmam que justiça plena exige responsabilização e não repetição

 

 

A viúva da vereadora Marielle Franco, Mônica Benício, afirmou nesta terça-feira (24) que a justiça só será plena quando a estrutura que possibilitou o assassinato for totalmente desmantelada. A declaração foi dada na entrada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, onde ocorre o julgamento dos acusados de mandar matar Marielle e o motorista Anderson Gomes, crime ocorrido em 2018, no Rio de Janeiro.

“O caso da Marielle é emblemático, porque mostra para a gente uma estrutura que se relaciona intimamente com o mundo obscuro entre a política, a polícia e o crime organizado no nosso país”, declarou Mônica.

Ela chegou à Suprema Corte acompanhada dos pais, da irmã e da filha de Marielle, Luyara Franco Santos, além da viúva de Anderson, Agatha Reis. Os familiares acompanham presencialmente o julgamento dos supostos mandantes do crime.

Réus e julgamento

A Primeira Turma do STF analisa o caso contra Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro; Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro; Ronald Alves de Paula, major da Polícia Militar; e o ex-policial militar Robson Calixto. Todos estão presos preventivamente sob suspeita de participação no assassinato.

A expectativa é que a votação sobre condenação ou absolvição seja concluída até esta quarta-feira (25), seguindo o rito padrão do colegiado.

“Justiça precisa ser concreta”

Para Agatha Reis, viúva de Anderson Gomes, o julgamento representa uma resposta necessária do Estado brasileiro. “Justiça não é um sentimento, é um processo, ela precisa ser concreta. Oito anos é praticamente a vida inteira do nosso filho. Ele já está há mais tempo sem o Anderson do que com o Anderson. É tempo demais para quem espera por resposta”, afirmou.

Emocionada, Luyara destacou que o início do julgamento é um marco para o país, mas reforçou que ainda há uma dívida com a sociedade. “A justiça plena, para minha mãe e para o Anderson, passa pela responsabilização, passa pela não repetição e pela reparação para nossas famílias. Hoje é um dia muito difícil, é o dia que a gente sonha — e sonhava acontecer nesses últimos oito anos”, disse.

A mãe da vereadora, Marinete da Silva, afirmou que a presença da família no STF simboliza a persistência na busca por justiça. Já o pai, Antônio da Silva Neto, declarou confiar na condenação dos acusados. “São juízes com grande saber jurídico e não vão se deixar levar por falácias”, afirmou.

O julgamento é considerado um dos mais emblemáticos da história recente do país e pode representar um passo decisivo na responsabilização de autoridades e agentes públicos acusados de envolvimento em crimes políticos.