
Maioria apoia o fim da escala 6×1, mas resistência cresce quando há possibilidade de redução salarial
Cerca de 84% dos brasileiros são favoráveis a que trabalhadores tenham, no mínimo, dois dias de descanso por semana, segundo pesquisa da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, realizada nas 27 unidades da Federação entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro. O levantamento ouviu 2.021 pessoas com 16 anos ou mais.
De acordo com o estudo, 73% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6×1 — modelo em que se trabalha seis dias e descansa um — desde que não haja redução de salário. De forma mais genérica, 63% declararam ser favoráveis ao fim da jornada 6×1.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, afirmou à Agência Brasil que 62% dos consultados sabem que há debate no governo federal e no Congresso Nacional sobre o tema. “A gente tem de cara 35%, ou seja, uma de cada três pessoas que nunca nem ouviu falar desse negócio. E dos 62% que já ouviram falar, 12% conhecem bem e 50% conhecem mais ou menos”, explicou.
Salário é ponto central do debate
Quando questionados se continuariam apoiando o fim da escala caso houvesse redução salarial, apenas 30% disseram ser favoráveis à mudança com a condição de que o salário fosse mantido. Entre os 22% que inicialmente se disseram contrários ao fim da jornada 6×1, 11% afirmaram que continuariam contra, enquanto 10% disseram que poderiam apoiar a medida se não houvesse impacto no salário.
Com a possibilidade de diminuição da remuneração, o apoio ao fim da escala cai para 28%, tornando-se posição minoritária. Outros 40% afirmam que só são favoráveis à mudança se não houver redução salarial. Há ainda 5% que apoiam o fim da jornada, mas não têm opinião formada sobre a questão da manutenção ou não dos salários.
Para Tokarski, a discussão no Congresso deve se concentrar justamente nesse ponto: redução da jornada com ou sem diminuição da remuneração. “Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, afirmou. Segundo ele, enquanto empresas defendem que eventual redução de jornada venha acompanhada de corte salarial, trabalhadores, de modo geral, rejeitam essa possibilidade.
Renda e realidade econômica
O CEO da Nexus avalia que o contexto econômico brasileiro pesa na decisão dos entrevistados. “No Brasil, país de renda média baixa, de trabalho mais precarizado, pouca gente aceita ter uma folga a mais se o salário diminuir”, disse.
Para ele, os dados revelam um desejo amplo por mais tempo de descanso, mas também a preocupação com o orçamento doméstico. “Quem não quer ter folga a mais? Todo mundo quer. Agora, quando a gente coloca que você vai trabalhar um dia menos, mas vai ganhar menos, o cara não quer porque tem conta para pagar”, concluiu.









