
No Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência, SBPC homenageia pesquisadoras de destaque nas áreas de Humanidades, Saúde e Exatas
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entrega nesta quarta-feira (11), em São Paulo, o Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher, em celebração ao Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência. A premiação reconhece pesquisadoras com trajetórias de destaque nas áreas de Humanidades; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra.
A data foi instituída em 2015 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de reforçar a importância da igualdade de gênero na construção do conhecimento científico.
Entre as homenageadas deste ano está Luísa Lina Villa, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradora do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), premiada na categoria Ciências Biológicas e da Saúde. Referência internacional em pesquisas sobre o Papilomavírus Humano (HPV), vírus associado ao câncer do colo do útero e à infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo, a pesquisadora celebra o reconhecimento.
“Estou nessa categoria e me sinto muito orgulhosa e feliz por estar sendo homenageada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, sobretudo porque há muitas mulheres no nosso país merecedoras desse prêmio”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil.
Luísa destaca que recebe a homenagem com gratidão e faz questão de dividir o reconhecimento com alunos, colaboradores e colegas que atuaram ao seu lado ao longo da carreira.
Da curiosidade infantil à referência internacional
A trajetória científica da professora começou ainda na infância, quando demonstrava curiosidade ao observar o mundo com uma lupa. O interesse pelos microrganismos evoluiu para uma carreira dedicada à pesquisa. Após o doutorado, em que estudou leveduras, passou a investigar o HPV no início dos anos 1980.
Ao longo de quase 30 anos no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer e, posteriormente, na Faculdade de Medicina da USP, Luísa consolidou uma linha de pesquisa voltada à compreensão do comportamento do vírus — responsável tanto por lesões benignas, como verrugas, quanto por tumores malignos em diferentes regiões do corpo.
Entre as contribuições de maior impacto estão os estudos que ajudaram a comprovar a segurança, imunogenicidade e eficácia das vacinas contra o HPV.
“Um dos principais aspectos do meu trabalho que foram considerados para que eu alcançasse esse prêmio foram os estudos com o HPV e a participação nas pesquisas que demonstraram a segurança e a eficácia das vacinas”, explicou.
As pesquisas conduzidas por seu grupo também foram pioneiras ao demonstrar que as infecções persistentes pelo HPV são as que apresentam maior risco de evolução para tumores malignos, especialmente no colo do útero.
Os estudos se estenderam ainda à população masculina. Segundo a pesquisadora, as taxas de HPV entre homens são ainda mais elevadas do que entre mulheres, o que reforça a importância da vacinação e da prevenção. Além de transmitir o vírus, homens também podem desenvolver lesões no pênis, canal anal e orofaringe.
Impacto nas políticas públicas
O avanço das pesquisas contribuiu para fundamentar políticas públicas de prevenção. Atualmente, a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de pessoas imunossuprimidas entre 9 e 45 anos.
Segundo Luísa, a ampliação da vacinação no Brasil e em outros países já tem apresentado resultados concretos, com redução significativa de verrugas genitais, lesões precursoras e casos de câncer associados ao vírus.
“Passados dez anos da implementação em vários países, houve redução significativa tanto de verrugas genitais quanto de doenças precursoras, como o câncer em alguns locais do corpo”, ressaltou.
Outras homenageadas
Além de Luísa Lina Villa, a 7ª edição do prêmio reconheceu Ana Mae Tavares Bastos Barbosa, professora emérita da USP, na categoria Humanidades, e Iris Concepcion Linares de Torriani, professora da Unicamp, na área de Exatas e Ciências da Terra.
Também foram concedidas três menções honrosas: Maria Arminda do Nascimento Arruda (USP), em Humanidades; Marilia Oliveira Fonseca Goulart (UFAL), em Exatas e Ciências da Terra; e Nísia Verônica Trindade Lima (Fiocruz), em Ciências Biológicas e da Saúde.
A premiação reforça o papel das mulheres na produção científica e celebra trajetórias que impactam diretamente a sociedade, seja na formulação de políticas públicas, no avanço do conhecimento ou na promoção da saúde.









