Haddad diz que Brasil pode discutir nova arquitetura para despesas sociais

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Ministro da Fazenda afirma que cenário econômico permite estudar fusão de benefícios e elogia atuação do Banco Central e avanço da reforma tributária

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (10), em São Paulo, que a atual situação econômica do país já permite iniciar discussões sobre uma nova arquitetura para as despesas sociais, com a possibilidade de unificação de benefícios assistenciais. Segundo ele, a ideia ainda não constitui um projeto de governo e não foi apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas já vem sendo analisada por técnicos.

Em entrevista durante o CEO Conference Brasil 2026, promovido pelo banco BTG Pactual, Haddad avaliou que o momento é oportuno para pensar soluções mais modernas para o orçamento público. “Olhando para o orçamento, talvez o Brasil esteja maduro para uma solução mais criativa”, afirmou. Para o ministro, o debate sobre renda básica se insere nesse contexto de reorganização dos gastos assistenciais.

Haddad comparou a proposta ao processo que levou à criação do Bolsa Família, em 2003, quando diversos programas sociais foram unificados. “Será que não seria o caso de fazer o que o presidente Lula fez em 2003, quando estava cheio de programa e o Bolsa Família nasceu como o grande guarda-chuva?”, questionou. Ele ressaltou que o objetivo não é reduzir despesas, mas tornar os programas mais eficazes e sustentáveis. Segundo o ministro, essa discussão vem sendo conduzida por técnicos do Estado brasileiro, inclusive fora do governo.

Durante a entrevista, Haddad também comentou a atuação do Banco Central e destacou a importância da instituição para a estabilidade econômica. Ele afirmou acompanhar atentamente as decisões da autoridade monetária e disse que suas críticas aos juros elevados são reflexões técnicas, não ataques pessoais ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “Quando eu digo que não vejo muita razão para o juro real continuar subindo, estou fazendo uma reflexão que qualquer pessoa pode fazer”, explicou.

O ministro voltou a elogiar a condução do Banco Central no caso envolvendo o Banco Master. Segundo ele, o crescimento acelerado da instituição foi interrompido após a posse de Galípolo, que se deparou com uma situação considerada preocupante. Haddad citou a descoberta de uma fraude estimada em R$ 12 bilhões e afirmou que as investigações deverão apontar as responsabilidades pela gestão fraudulenta. “Alguém vai responder como é que essa coisa chegou nesse patamar”, disse.

Haddad também destacou a importância da reforma tributária, classificando-a como o principal legado de sua atuação à frente do Ministério da Fazenda. De acordo com ele, após a implementação das mudanças, o Brasil deverá deixar o grupo dos países com piores sistemas de tributação sobre consumo. “Hoje nós temos um dos piores sistemas tributários do mundo, mas acredito que vamos saltar para um dos melhores”, afirmou.

Segundo o ministro, o avanço se dará principalmente pelo alto nível de digitalização e transparência do novo modelo. Para Haddad, os efeitos da reforma começarão a ficar evidentes a partir de 1º de janeiro do próximo ano, quando a nova estrutura tributária entrar em vigor.