
Programa federal busca reverter queda nas vendas do setor, estimular a economia e promover uma logística mais sustentável
O programa Move Brasil liberou aproximadamente R$ 2 bilhões em financiamentos para a renovação da frota de caminhões em seu primeiro mês de vigência. O balanço foi apresentado neste domingo (8) pelo vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, durante evento realizado em Guarulhos, na Grande São Paulo.
A iniciativa tem como objetivo substituir veículos antigos e ajudar a retomar o ritmo de vendas do setor, que registrou queda de 9,2% em 2025. No segmento de caminhões pesados, voltados ao transporte de longas distâncias, a retração foi ainda mais expressiva, chegando a 20,5% em comparação com 2024. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que o mercado iniciou 2026 com retração de 34,67% em relação a janeiro do ano anterior.
Segundo Alckmin, a principal razão para a queda nas vendas foi a elevada taxa de juros. Ele destacou que, apesar do cenário positivo da economia, com recordes de safra e exportações, o financiamento ficou caro para quem depende de crédito para adquirir bens duráveis. “A taxa estava em torno de 22% a 23% ao ano, o que dificultava a compra. Com o programa, a resposta foi imediata”, afirmou.
Empresários do setor já sentem os efeitos do crédito facilitado. Dono de uma transportadora em Santa Isabel (SP), Orlando Boaventura relatou que utilizou o financiamento para adquirir o 29º caminhão da empresa familiar, que atua há 20 anos e emprega 30 pessoas. Segundo ele, os modelos mais novos reduzem significativamente o consumo de combustível, além de possibilitar a ampliação do quadro de funcionários, com a previsão de cinco novas contratações ainda neste ano.
Representantes dos trabalhadores também destacaram o impacto do programa. Para Wellington Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o Move Brasil é resultado de um esforço conjunto entre governo, empresas e sindicatos, com foco na preservação de empregos, na redução das emissões de carbono e na transição para uma logística mais sustentável.
Durante o evento, lideranças da indústria defenderam a continuidade do programa como forma de estimular a recuperação do setor automotivo pesado. O CEO da Scania, Christopher Polgorski, afirmou que a expectativa de queda da taxa Selic pode ajudar, mas ressaltou que o programa tem papel estratégico ao antecipar investimentos. Ele lembrou ainda que cada emprego mantido na produção e nas vendas diretas sustenta outros seis postos indiretos.
Alckmin informou que o Move Brasil não tem prazo definido para encerramento e que o teto de recursos seguirá em R$ 10 bilhões. “O programa pode durar até que os recursos se esgotem. Depois disso, vamos avaliar os próximos passos”, explicou.
O Move Brasil oferece crédito, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para a compra de caminhões novos ou seminovos fabricados a partir de 2012, desde que atendam a critérios ambientais. O programa prevê até R$ 10 bilhões em financiamentos, sendo R$ 1 bilhão reservado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados, com juros em torno de 13% a 14% ao ano, prazos de até cinco anos e carência de até seis meses.









