
Especialistas alertam que euforia, álcool e drogas aumentam riscos; uso do preservativo e acesso rápido aos serviços de saúde são fundamentais durante a folia
Fevereiro chegou trazendo o Carnaval, período marcado por alegria, encontros e intensa interação social em todo o país. Em meio à folia, no entanto, autoridades de saúde reforçam a importância do cuidado com a saúde, especialmente no que diz respeito à prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
O clima de euforia típico da festa, associado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras drogas, pode levar a decisões impulsivas e a relações sexuais desprotegidas. Esse comportamento aumenta significativamente o risco de infecção pelo HIV e por outros microrganismos. O uso abusivo de álcool e substâncias psicoativas reduz o senso crítico e altera a percepção dos próprios limites, o que representa um perigo à saúde.
Durante blocos e desfiles, muitas pessoas acabam abrindo mão do preservativo por descuido, esquecimento ou falsa sensação de segurança. A prática favorece a transmissão de doenças como Aids, sífilis, gonorreia, clamídia, hepatites virais e HPV, que seguem como importantes problemas de saúde pública no Brasil, apesar dos avanços no tratamento. Relações sem camisinha também elevam o risco de gravidez indesejada, com impactos duradouros na vida das pessoas envolvidas.
O preservativo, masculino ou feminino, continua sendo a forma mais eficaz de prevenção contra a maioria das ISTs e contra a gravidez não planejada. Especialistas recomendam seu uso em todos os tipos de relações sexuais, do início ao fim do contato. Levar camisinha consigo e saber utilizá-la corretamente é uma atitude simples, responsável e essencial durante o Carnaval.
Em situações de risco ou após relações sexuais desprotegidas, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde ou centro de referência. Nesses casos, pode ser indicada a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) ao HIV, um tratamento de emergência que deve ser iniciado preferencialmente nas primeiras horas e, no máximo, até 72 horas após a exposição. A PEP é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode reduzir de forma significativa o risco de infecção quando utilizada corretamente.
A rede pública de saúde permanece disponível para atendimentos de urgência e emergência, tanto para moradores quanto para turistas. Além disso, é fundamental manter o acompanhamento após o período de risco. O teste para HIV deve ser realizado cerca de 30 dias após a exposição, respeitando a chamada janela imunológica. Exames para sífilis e outras ISTs também são recomendados, já que muitas infecções podem permanecer assintomáticas por semanas ou meses.
Especialistas destacam que a prevenção não deve ser encarada como um obstáculo à diversão, mas como parte do cuidado consigo mesmo e com o outro. Informação, responsabilidade e acesso rápido aos serviços de saúde são estratégias essenciais para que o Carnaval termine apenas com boas lembranças. Com saúde, é possível aproveitar não só a festa, mas muitos outros carnavais que ainda virão.









