Fiocruz inicia estudo para avaliar injeção semestral de prevenção ao HIV no SUS

Pesquisa utilizará o medicamento lenacapavir, já aprovado pela Anvisa, e será realizada em sete cidades brasileiras com públicos específicos

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou que dará início a um estudo para avaliar a possível incorporação da injeção semestral de prevenção ao HIV no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa utilizará o medicamento lenacapavir, produzido pelo laboratório Gilead Sciences e já aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Considerado uma inovação nos métodos de prevenção ao HIV, o lenacapavir se diferencia por ser administrado apenas duas vezes ao ano, o que reduz significativamente a frequência de uso em comparação às estratégias preventivas diárias atualmente disponíveis. As doses do medicamento já foram enviadas ao Brasil pelo fabricante, mas o início das aplicações ainda depende da chegada de agulhas específicas necessárias para o procedimento.

O estudo será conduzido em sete cidades brasileiras, abrangendo diferentes regiões do país. No Sul, a pesquisa ocorrerá em Florianópolis (SC). No Sudeste, participam São Paulo e Campinas, em São Paulo, além do Rio de Janeiro e Nova Iguaçu, no estado do Rio. Salvador (BA), no Nordeste, e Manaus (AM), na região Norte, completam a lista de municípios envolvidos.

Nesta etapa inicial, o público-alvo será formado por homens gays e bissexuais, pessoas não binárias designadas do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos. Para integrar o estudo, os voluntários deverão passar por testes e apresentar resultado negativo para o HIV.

Segundo a Anvisa, o lenacapavir é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que estejam em situação de risco para contrair o vírus. A aplicação semestral é vista como uma alternativa promissora para ampliar a adesão às estratégias de prevenção.

A iniciativa da Fiocruz tem como objetivo produzir evidências científicas que embasem a análise sobre a viabilidade de incorporação da nova tecnologia ao SUS. Caso os resultados sejam positivos, a injeção semestral poderá representar um avanço importante na política de prevenção ao HIV no Brasil, ampliando as opções disponíveis na rede pública de saúde.