BNDES registra lucro de R$ 19 bilhões

foto :(Fernando Frazão/Agência Brasil)

 

Banco aumentou a concessão de créditos e contribuirá com R$ 25 bilhões ao Tesouro Nacional

 

 

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta segunda-feira (11) um lucro líquido de R$ 19 bilhões entre janeiro e setembro de 2024, um aumento de 31,4% em relação aos R$ 14,4 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. A carteira de crédito do banco atingiu R$ 550,3 bilhões, a maior desde 2017, com crescimento em todos os setores da economia.

Expansão da carteira de crédito e setores beneficiados

De acordo com o balanço apresentado, a carteira de crédito expandida — incluindo financiamentos, debêntures e outros ativos — somou R$ 550,3 bilhões até setembro, o que representa um aumento de 6,8% em comparação a dezembro de 2023. As aprovações de crédito totalizaram R$ 137,4 bilhões nos primeiros nove meses de 2024, registrando alta de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 108% sobre 2022.

Os setores da economia foram beneficiados com a expansão dos créditos: a indústria obteve o maior crescimento, com R$ 37 bilhões em aprovações, aumento de 108% sobre 2023. O setor agropecuário recebeu R$ 35,1 bilhões, enquanto infraestrutura e comércio e serviços receberam R$ 40,8 bilhões e R$ 24,5 bilhões, respectivamente. Para micro, pequenas e médias empresas, o BNDES aprovou R$ 64,9 bilhões em crédito, uma alta de 45,5% em relação a 2023.

Contribuição para o Tesouro Nacional e foco no ajuste fiscal

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o compromisso do banco com o ajuste fiscal, contribuindo com R$ 25 bilhões em dividendos ao Tesouro Nacional. “Nosso compromisso era construir um novo BNDES e ele está sendo construído. Estamos mandando para o Tesouro um valor acima do nosso lucro para ajudar no equilíbrio das contas públicas”, afirmou Mercadante.

Com a meta de equilíbrio orçamentário, o presidente do banco defendeu a necessidade de manter investimentos no orçamento como medida essencial para o crescimento econômico. Mercadante destacou que o país precisa de sustentabilidade nas contas públicas e investimentos para manter uma trajetória de crescimento.

Resposta aos desafios climáticos

O BNDES também recebeu R$ 10 bilhões do Fundo Nacional sobre a Mudança do Clima, destinados a projetos de mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. Mercadante explicou que, diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes e severos, como secas e enchentes, o banco busca desenvolver uma unidade para responder de forma estratégica e rápida a desastres naturais.

“Não temos uma estrutura de inteligência para reconstrução com resiliência e adaptação, e precisamos disso para enfrentar a crise climática”, disse Mercadante, mencionando a criação de uma nova unidade no BNDES voltada para respostas estratégicas a desastres, que integrará tecnologias mais eficientes e um planejamento urbano sustentável.

Com o aumento de sua capacidade de crédito e foco no apoio ao Tesouro Nacional, o BNDES reforça seu papel não só como financiador da economia brasileira, mas também como peça fundamental no equilíbrio das contas públicas e no enfrentamento dos desafios climáticos.