terça-feira, 9 de junho de 2026 20:20
Home Notícias Estudo aponta que maioria das jovens com câncer de mama inicial pode...

Estudo aponta que maioria das jovens com câncer de mama inicial pode engravidar

Foto de freestocks na Unsplash

 

A maioria das mulheres jovens diagnosticadas com câncer de mama em estágio inicial tem grandes chances de engravidar após o tratamento, segundo um estudo apresentado no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), realizado em junho, nos Estados Unidos. A pesquisa, que acompanhou pacientes por mais de dez anos, é considerada um marco na avaliação da fertilidade em mulheres com menos de 40 anos e tumores não metastáticos.

Dos 1.213 casos analisados, 197 mulheres tentaram engravidar após o tratamento e 73% delas conseguiram. Dessas, 65% deram à luz um bebê vivo. Embora apenas 28% das pacientes tenham optado por técnicas de preservação da fertilidade, como o congelamento de óvulos ou embriões, as chances de sucesso foram maiores para essas mulheres e para as mais jovens.

Impacto do tratamento na fertilidade

Os tratamentos contra o câncer de mama podem prejudicar a fertilidade, principalmente devido à quimioterapia, que pode suprimir a função ovariana e induzir menopausa precoce. Além disso, em tumores receptores hormonais positivos, as terapias para reduzir os hormônios que alimentam o câncer também podem provocar falência ovariana.

A oncologista Patrícia Taranto, do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que, embora seja possível engravidar sem preservar a fertilidade, as chances aumentam com o congelamento de óvulos ou embriões. “Com o congelamento prévio, as chances são maiores caso a menopausa precoce ocorra devido ao tratamento”, explica.

A importância da orientação precoce

O estudo reforça a necessidade de aconselhamento e preservação da fertilidade desde o início do diagnóstico. Além de oferecer maior segurança às pacientes, essas medidas permitem que elas possam planejar uma gestação futura sem comprometer a eficácia do tratamento.

“É fundamental que as pacientes tenham acesso tanto ao apoio emocional quanto às orientações sobre preservação de fertilidade assim que recebem o diagnóstico, para se prevenir e programar o congelamento de óvulos ou embriões, independentemente do tipo de tumor”, frisam os autores do estudo.

Preservação sem impacto na saúde

Os procedimentos de preservação de fertilidade não aumentam o risco de recidiva do câncer nem interferem na agressividade da doença. “Hoje é possível realizar esses processos de forma mais rápida, sem atrasar o início do tratamento oncológico”, conclui Taranto.

A pesquisa traz esperança para pacientes jovens com câncer de mama em estágio inicial, ao mostrar que é viável conciliar o tratamento da doença com o desejo de gestar e construir uma família após a recuperação.