sábado, 13 de junho de 2026 19:19
Home Notícias Economia Grandes cidades perdem peso no PIB nacional, indica estudo do IBGE

Grandes cidades perdem peso no PIB nacional, indica estudo do IBGE

 

Levantamento revela mudanças significativas na contribuição das cidades para a economia do país

 

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (15) o estudo “PIB dos Municípios”, apontando uma tendência de desconcentração na economia brasileira ao longo dos últimos anos. Em 2002, apenas quatro cidades – São Paulo (12,7%), Rio de Janeiro (6,3%), Brasília (3,6%) e Belo Horizonte (1,6%) – representavam cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Em 2021, esse grupo expandiu para 11 cidades, mantendo a mesma proporção.

No rol das cidades que compõem esse novo cenário estão São Paulo (9,2%), Rio de Janeiro (4%), Brasília (3,2%), Belo Horizonte (1,2%), Manaus (1,1%), Curitiba (1,1%), Osasco (SP) (1%), Maricá (RJ) (1%), Porto Alegre (0,9%), Guarulhos (SP) (0,9%) e Fortaleza (0,8%). Em 2002, eram necessárias 48 cidades para atingir 50% do PIB; em 2021, esse número subiu para 87, indicando uma maior distribuição de riqueza.

O estudo destaca ainda a perda de participação de São Paulo e Rio de Janeiro no PIB nacional, com quedas de 3,5 e 2,3 pontos percentuais, respectivamente, entre 2002 e 2021. As atividades financeiras em São Paulo e a diminuição das atividades imobiliárias e serviços de informação e comunicação no Rio de Janeiro foram apontadas como causas dessas reduções.

No outro extremo, Maricá, no litoral norte do Rio de Janeiro, registrou o maior ganho de participação no PIB, com aumento de 0,9 ponto percentual, impulsionado pela extração de petróleo e gás. Parauapebas (PA) teve o segundo maior ganho, com 0,5 ponto percentual, resultado da expansão da extração de minério de ferro.

A desconcentração também foi observada nas capitais, que, em 2021, representaram 27,6% do PIB, o menor índice desde o início da pesquisa em 2002. A concentração nas capitais é influenciada por medidas restritivas durante a pandemia, que afetaram principalmente as atividades de serviços presenciais.

O estudo abordou ainda o PIB per capita dos municípios, apontando que Catas Altas, em Minas Gerais, lidera o ranking com renda per capita de R$ 920.833,97, impulsionada pela extração de minério de ferro. As desigualdades regionais no PIB per capita foram evidentes, com média nacional de R$ 42,2 mil, enquanto o Nordeste apresentou R$ 21,5 mil e o Centro-Oeste, R$ 55,7 mil.

A pesquisa também revelou o perfil dos municípios por atividade econômica, destacando cinco cidades responsáveis por cerca de 25% do setor de serviços no Brasil em 2021: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Osasco (SP). O município de Maricá liderou a participação no PIB da indústria pela primeira vez, com 3,3%, devido à extração de petróleo e gás, superando São Paulo e Rio de Janeiro.

A análise do IBGE aponta para uma transformação significativa na dinâmica econômica do país, com um panorama mais diversificado e menos concentrado em grandes centros urbanos.