
Reportagem da revista Veja apresenta alegações atribuídas a Daniel Vorcaro sobre supostos pagamentos e contatos com integrantes do governo; citados negam irregularidades.
O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos após a divulgação de relatos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, apresentados à Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo reportagem da revista Veja, o material reúne áudios, mensagens e anexos com alegações de um suposto esquema de pagamentos e articulações para facilitar o acesso da instituição financeira a fundos de pensão de empresas estatais.
De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, as articulações teriam envolvido pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT), integrantes do governo federal e intermediários. Entre os nomes mencionados estão o senador Jaques Wagner, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ministro Alexandre Padilha e o então secretário executivo da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto.
A reportagem afirma que o banqueiro relatou um suposto pagamento de cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo relacionado ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dirigido por Oliver Stone, além de valores que teriam sido destinados ao Instituto Lula. O material também mencionaria um acordo para repasses vinculados à captação de recursos de fundos de pensão de instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras e Correios.
As alegações incluem projeções de pagamentos bilionários. No entanto, os valores e as supostas negociações descritos no relato não devem ser tratados como fatos comprovados sem confirmação independente.
Mensagens e encontros sob questionamento
Segundo a publicação, mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicariam que, em 29 de abril de 2024, um intermediário identificado como Júlio teria apresentado o banqueiro a Olavo Noleto. Na mesma data, o Banco Master teria sido incluído em uma lista de instituições habilitadas a receber aportes de fundos públicos.
Ainda conforme a reportagem, o intermediário teria cobrado R$ 500 mil pela atuação. Dois dias depois, Vorcaro teria jantado com o ministro Alexandre Padilha em sua residência. Meses depois, uma mensagem atribuída a Júlio teria indicado que o presidente Lula receberia o banqueiro.
A publicação ressalta, porém, que não há comprovação de que o encontro prometido com Lula tenha ocorrido. O registro citado de uma reunião no Palácio do Planalto data de 4 de dezembro de 2024, fora da agenda oficial, e teria tratado de questões relacionadas ao Banco Master e ao Banco Central.
Operações financeiras e suspeitas de favorecimento
O material também menciona questionamentos sobre operações do Banco Master com fundos de pensão e possíveis benefícios a pessoas ligadas a integrantes do governo. Segundo o relato atribuído a Vorcaro, movimentações envolvendo fundos municipais teriam gerado aproximadamente R$ 6 milhões para um grupo associado a Padilha.
A reportagem afirma ainda que as operações enfrentaram dificuldades após a divulgação de mudanças na equipe da Caixa Econômica Federal, em julho de 2024. As circunstâncias e a eventual relação entre esses episódios e as supostas articulações dependem de apuração.
PGR e questionamentos sobre as provas
Segundo o texto publicado, a PGR descartou um dos anexos apresentados por Vorcaro, que continha alegações sobre pagamentos em dinheiro vivo e menções a repasses a outras autoridades, incluindo o senador Davi Alcolumbre e integrantes do Judiciário.
A decisão teria provocado questionamentos sobre a dificuldade de comprovar pagamentos realizados em espécie. A ausência de registros documentais, contudo, não confirma nem afasta, por si só, a ocorrência dos fatos alegados. A avaliação depende do conjunto de elementos disponíveis e dos critérios jurídicos aplicáveis.
O presidente Lula, o ministro Alexandre Padilha e Olavo Noleto negam irregularidades ou favorecimento ao Banco Master, conforme informado no material original. As alegações atribuídas ao banqueiro precisam ser distinguidas de fatos documentalmente comprovados e de eventuais conclusões das autoridades responsáveis pela investigação.











