
Além de contribuir para a prevenção de tumores, a prática regular de atividades físicas favorece a saúde cerebral, melhora a memória e ajuda a reduzir o risco de doenças demenciais.
A prática regular de atividades físicas traz benefícios que vão além do condicionamento corporal. O exercício também é considerado um aliado na prevenção do câncer de mama e de outros tipos de tumores, além de contribuir para a saúde do cérebro e a qualidade de vida.
Em entrevista à CNN Brasil neste sábado (31), Jorge Abissamra Filho, coordenador da equipe médica de Oncologia da Hapvida, explicou que mulheres fisicamente ativas apresentam, em média, um risco de 10% a 20% menor de desenvolver câncer de mama em comparação com aquelas que são sedentárias.
Segundo o médico, um dos principais mecanismos de proteção está relacionado ao controle do peso corporal e à redução da gordura visceral. Esse benefício ganha importância especialmente após a menopausa, quando o tecido adiposo passa a ser uma das principais fontes de produção de estrogênio, hormônio que pode estimular o crescimento de determinados tumores mamários.
A atividade física também ajuda a combater a obesidade, considerada um fator de risco para o câncer de mama. Além disso, melhora a sensibilidade à insulina, reduz processos inflamatórios e contribui para a regulação hormonal e metabólica do organismo.
Exercícios também ajudam durante o tratamento
Os benefícios da atividade física não se restringem à prevenção. Para mulheres que já receberam o diagnóstico de câncer de mama, os exercícios adaptados às condições clínicas também podem contribuir para o bem-estar durante o tratamento.
De acordo com Abissamra Filho, a prática pode reduzir a fadiga relacionada à quimioterapia, preservar a massa muscular, melhorar a capacidade cardiovascular e ajudar a manter a autonomia e a qualidade de vida das pacientes.
A intensidade e o tipo de exercício, entretanto, devem considerar as condições de saúde de cada pessoa e as etapas do tratamento, com orientação profissional.
Atividade física favorece a saúde do cérebro
Além dos benefícios para o organismo, os exercícios também desempenham um papel importante no funcionamento cerebral. Segundo o neurologista Yuri Macedo, do Hospital Badim, no Rio de Janeiro, a prática estimula a neuroplasticidade, capacidade do sistema nervoso de reorganizar suas conexões ao longo da vida.
O médico destaca os efeitos da atividade física sobre o hipocampo, estrutura localizada nos lobos temporais e fundamental para os processos de memória e aprendizagem.
“Já sabemos que a atividade física pode aumentar algumas estruturas fundamentais para a nossa memória, como é o caso dos hipocampos”, explica.
O exercício também estimula a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar, como endorfinas e serotonina, que podem favorecer o humor, a disposição e o controle da ansiedade.
Outro benefício apontado pelo neurologista é a contribuição da atividade física para a prevenção de doenças demenciais. Embora atividades intelectuais, como palavras cruzadas e jogos de linguagem, também estimulem a cognição, o médico ressalta que a prática regular de exercícios está entre os principais fatores associados à proteção contra essas condições.
Quais exercícios são recomendados?
A estratégia recomendada é combinar atividades aeróbicas com exercícios de fortalecimento muscular. Caminhada acelerada, corrida, bicicleta, natação e dança são exemplos de modalidades que ajudam a melhorar o condicionamento cardiovascular.
Já a musculação e os exercícios de resistência, incluindo modalidades como o pilates com resistência, contribuem para preservar a massa muscular e a saúde dos ossos, aspectos especialmente importantes durante e após a menopausa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos pratiquem:
- 150 a 300 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada; ou
- 75 a 150 minutos semanais de atividade aeróbica intensa;
- Exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.
A prática deve ser adaptada à condição física e às necessidades de cada pessoa. Mesmo atividades realizadas em períodos mais curtos, quando feitas regularmente, ajudam a reduzir o sedentarismo e a promover a saúde.
Além de contribuir para a prevenção de doenças, manter o corpo em movimento é uma estratégia importante para preservar a autonomia, o bem-estar físico e a saúde mental ao longo da vida.










