
Levantamento mostra que 70% das mulheres ouvidas já conhecem o vírus sincicial respiratório; apesar do aumento da conscientização, dúvidas sobre a bronquiolite e a vacinação durante a gravidez ainda persistem.
O conhecimento das gestantes brasileiras sobre o vírus sincicial respiratório (VSR), a bronquiolite e as formas de prevenção avançou desde 2024. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo Instituto Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipsos-Ipec), a pedido da Pfizer, com mulheres de todas as regiões do país.
O percentual de gestantes que conhecem ou já ouviram falar do VSR passou de 58% em 2024 para 70% em 2026. O levantamento, que ouviu 530 mulheres entre 18 e 45 anos, também identificou avanços no conhecimento sobre a vacinação durante a gravidez.
Apesar da evolução, ainda existem lacunas importantes: 79% das entrevistadas apresentaram pelo menos uma dúvida ou percepção equivocada sobre o tema, enquanto apenas 13% responderam corretamente a todas as afirmações avaliadas.
Segundo a médica Adriana Ribeiro, os resultados mostram avanços em diferentes regiões do país, mas também revelam que conhecer o vírus, identificar a doença e compreender sua gravidade são etapas distintas da conscientização.
Bronquiolite está entre as principais preocupações
A bronquiolite foi apontada como a doença infectocontagiosa que mais preocupa as gestantes, sendo mencionada por 60% das entrevistadas, ante 40% em 2024.
Além disso, 46% das mulheres ouvidas reconhecem que a doença pode provocar complicações graves, incluindo hospitalização e morte, especialmente entre bebês e idosos.
No Sudeste, o percentual de gestantes que conhecem ou já ouviram falar do VSR chegou a 74%, um aumento de 21 pontos percentuais em relação a 2024. A preocupação com a bronquiolite também cresceu na região, passando de 40% para 55%.
O reconhecimento do risco de internação e morte subiu de 33% para 43% no Sudeste.
Já no Norte e Centro-Oeste, a percepção sobre a doença passou de 12% para 47%. Atualmente, praticamente todas as gestantes dessas regiões já ouviram falar da bronquiolite, e metade reconhece que ela pode apresentar quadros graves.
Nessas duas regiões, 40% das entrevistadas já associam a bronquiolite ao VSR, 11 pontos percentuais a mais que em 2024.
Conhecimento sobre vacinação também aumentou
A pesquisa identificou avanços na compreensão do calendário de imunização durante a gestação. Em 2026, 72% das entrevistadas afirmaram conhecer a existência de um calendário vacinal específico para gestantes, contra 58% em 2024.
Mesmo assim, 25% ainda acreditam que devem seguir apenas o calendário de vacinação correspondente à própria idade. Além disso, 31% não reconhecem que algumas vacinas recomendadas durante a gravidez também contribuem para proteger o bebê.
A recomendação médica também se tornou mais frequente. O percentual de gestantes que afirmaram ter recebido orientação de um profissional de saúde para se vacinar durante a gravidez passou de 77%, em 2024, para 88% em 2026.
Entre as mulheres que receberam a indicação, 96% disseram que seguem ou pretendem seguir a recomendação. Ao todo, 71% afirmaram cumprir integralmente as orientações recebidas durante o acompanhamento pré-natal.
Vacinação está disponível no SUS
A imunização contra o VSR é relativamente recente no Brasil. A vacina foi autorizada no país em 2024 e incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2025.
Segundo Adriana Ribeiro, a cobertura nacional entre gestantes está em torno de 84%, mas alguns estados ainda apresentam índices inferiores a 80%, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e unidades da Região Norte.
A falta de informação sobre a disponibilidade da vacina na rede pública também permanece como um desafio. No Sudeste, 46% das gestantes ainda não sabem que existe prevenção contra o VSR disponível no SUS. No Norte e Centro-Oeste, o percentual é de 38%.
“O pré-natal é o momento-chave para fechar essa lacuna”, afirmou a médica.
As infecções respiratórias causadas pelo VSR estão entre as principais causas de bronquiolite em crianças pequenas e podem provocar quadros graves, especialmente em bebês. Por isso, a ampliação da informação sobre o vírus e a vacinação durante a gestação é considerada importante para a prevenção e a proteção dos recém-nascidos.










