
Imobilidade prolongada, obesidade, uso de hormônios, gravidez e câncer podem aumentar o risco da doença, especialmente quando associados a outras condições.
A trombose venosa profunda, frequentemente associada a internações hospitalares e grandes cirurgias, também pode afetar pessoas em outras situações do cotidiano. A combinação de períodos prolongados de imobilidade, obesidade, uso de determinados hormônios e condições clínicas específicas pode aumentar o risco de formação de coágulos sanguíneos.
A doença ocorre quando um coágulo se forma em uma veia profunda, geralmente nas pernas, dificultando a circulação do sangue. Uma das complicações mais graves acontece quando parte desse coágulo se desprende e chega aos pulmões, provocando uma embolia pulmonar, condição potencialmente fatal.
Embora viagens longas e muitas horas sentado diante do computador não provoquem necessariamente trombose, essas situações merecem atenção quando estão associadas a outros fatores de risco. A preocupação é maior para pessoas com histórico de trombose, cirurgia recente, câncer, gravidez, trombofilia ou obesidade.
Sedentarismo pode contribuir para o problema
O aumento do tempo passado sentado, seja no trabalho presencial, no home office ou em deslocamentos prolongados, reduziu as oportunidades de movimentação ao longo do dia.
A imobilidade prolongada favorece a estagnação do sangue nas veias das pernas. No entanto, permanecer sentado não significa que uma pessoa desenvolverá trombose. O risco depende de um conjunto de condições individuais e circunstâncias que podem favorecer a formação de coágulos.
A idade avançada, o histórico pessoal ou familiar da doença e determinadas alterações hereditárias da coagulação também estão entre os fatores que precisam ser considerados na avaliação médica.
Hormônios, gravidez e câncer exigem atenção
Algumas condições demandam cuidados específicos. Contraceptivos que contêm estrogênio e determinadas terapias hormonais podem elevar o risco de trombose. A gravidez e o período após o parto também aumentam naturalmente a tendência à coagulação.
Isso não significa que todas as mulheres devam evitar anticoncepcionais ou tratamentos hormonais. A escolha deve considerar o histórico de saúde, a idade, o tabagismo, a obesidade e outros fatores individuais, com orientação profissional.
O câncer também pode aumentar o risco de trombose, tanto pelos efeitos da própria doença quanto por determinados tratamentos. Cirurgias, traumatismos, internações e períodos prolongados sem movimentação podem contribuir para esse cenário.
Por isso, identificar os fatores presentes em cada caso é fundamental para orientar medidas preventivas adequadas.
Prevenção e diagnóstico precoce
A prevenção varia conforme o nível de risco. Em algumas situações, movimentar-se regularmente e evitar longos períodos de imobilidade são medidas importantes. Para pacientes submetidos a determinadas cirurgias ou internações, pode haver indicação de medidas adicionais, incluindo medicamentos anticoagulantes.
Esses medicamentos, porém, não devem ser utilizados por conta própria, pois podem provocar sangramentos e precisam de indicação médica individualizada.
Reconhecer os sinais da trombose também é essencial. Inchaço em uma das pernas, dor, sensibilidade, aumento da temperatura local e vermelhidão podem indicar a doença e exigem avaliação médica. A ausência desses sintomas, entretanto, não exclui completamente o diagnóstico.
Falta de ar súbita, dor no peito, desmaio ou tosse com sangue podem indicar embolia pulmonar e exigem atendimento de emergência.
Sequelas podem persistir após a trombose
Mesmo depois da fase aguda, alguns pacientes continuam enfrentando consequências da doença. Uma delas é a síndrome pós-trombótica, que pode provocar inchaço persistente, dor, sensação de peso nas pernas, alterações na pele e, nos casos mais graves, feridas de difícil cicatrização.
Estudos estimam que a síndrome possa atingir aproximadamente 20% a 50% dos pacientes após uma trombose venosa profunda, dependendo das características dos casos analisados.
O problema pode ocorrer devido a obstruções residuais nas veias e a danos nas válvulas responsáveis por facilitar o retorno do sangue ao coração.
O diagnóstico precoce, o tratamento adequado com anticoagulantes quando indicado e a prevenção de novos episódios são medidas importantes para reduzir complicações, embora nem todas as sequelas possam ser evitadas.
No Dia Mundial da Trombose, celebrado em 13 de outubro, a conscientização sobre os fatores de risco e a importância da prevenção ganha destaque. A principal recomendação é compreender que a doença não está restrita a pacientes hospitalizados: o risco varia de pessoa para pessoa e pode resultar da combinação de diferentes condições.
Conhecer esses fatores, procurar orientação médica quando necessário e reconhecer os sinais de alerta são medidas fundamentais para proteger a saúde e evitar complicações graves.









