
Levantamento aponta que 51% dos diagnósticos feitos pelo SUS ocorreram em estágios avançados; idade e exposição hormonal estão entre os fatores de risco.
O risco de desenvolver câncer de mama aumenta a partir dos 50 anos, período em que as mudanças biológicas do envelhecimento e o acúmulo de exposições ao longo da vida contribuem para o desenvolvimento da doença. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de quatro em cada cinco casos são identificados em mulheres com mais de 50 anos.
A doença não tem uma causa única e pode estar associada a diferentes fatores, como idade, histórico hormonal e reprodutivo, hábitos de vida, condições ambientais e predisposição genética. Entre eles, a idade é considerada um dos principais fatores de risco.
Fatores de risco
De acordo com o INCA, fatores endócrinos e relacionados à história reprodutiva estão associados à exposição ao estrogênio, hormônio produzido pelo próprio organismo ou administrado externamente. Quanto maior o tempo de exposição, maior pode ser o risco de desenvolver a doença.
Entre os fatores associados ao câncer de mama estão:
- Primeira menstruação antes dos 12 anos;
- Menopausa após os 55 anos;
- Primeira gravidez após os 30 anos;
- Ausência de filhos;
- Uso prolongado de contraceptivos orais combinados, que contêm estrogênio e progesterona;
- Terapia de reposição hormonal após a menopausa, especialmente quando utilizada por mais de cinco anos.
A presença de um ou mais desses fatores não significa que a mulher necessariamente desenvolverá câncer de mama. Da mesma forma, a doença pode ocorrer em pessoas sem fatores de risco conhecidos.
Mais da metade dos casos é diagnosticada tardiamente
Cerca de 51% dos casos de câncer de mama atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foram diagnosticados nos estágios 3 e 4, considerados avançados. Os dados são da edição mais recente do Panorama da Atenção ao Câncer de Mama, levantamento elaborado com informações do INCA e realizado em parceria entre o Instituto Natura, a Avon, o Observatório da Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer e o Instituto Protea.
A análise por faixa etária mostra que os maiores percentuais de diagnósticos em estágios avançados foram registrados entre mulheres mais jovens. Na faixa dos 20 aos 29 anos, o índice chegou a 68,3%. Entre mulheres de 30 a 39 anos, foi de 61,9%, enquanto na faixa dos 40 aos 49 anos alcançou 53,7%.
Entre as mulheres de 50 a 69 anos, faixa etária considerada prioritária para o rastreamento, 47,6% dos casos foram identificados em estágios avançados.
Os números reforçam a importância de ampliar o acesso aos serviços de saúde e investigar alterações suspeitas nas mamas para favorecer a identificação da doença em fases iniciais.
Principais sinais de alerta
O câncer de mama pode provocar alterações que merecem avaliação médica. Entre os principais sinais e sintomas estão:
- Nódulo na mama, especialmente em mulheres com mais de 50 anos;
- Nódulo em mulheres com mais de 30 anos que persiste por mais de um ciclo menstrual;
- Nódulo endurecido, fixo ou que aumenta de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade;
- Saída espontânea de líquido por um dos mamilos;
- Lesão na pele da mama que não responde a tratamentos tópicos;
- Aumento progressivo do tamanho da mama;
- Pele com aspecto semelhante ao de uma casca de laranja;
- Retração da pele da mama;
- Mudança no formato do mamilo;
- Pequenos nódulos no pescoço ou nas axilas.
A presença desses sinais não confirma, por si só, o diagnóstico de câncer, mas indica a necessidade de avaliação por um profissional de saúde.
Como identificar alterações precocemente
O INCA orienta que as mulheres observem as próprias mamas sempre que se sentirem confortáveis, durante o banho, ao trocar de roupa ou em outras situações do cotidiano. O objetivo é conhecer o aspecto habitual das mamas e perceber possíveis mudanças.
Caso uma alteração persista ou surja algum sinal suspeito, a recomendação é procurar uma unidade de saúde para avaliação. A investigação adequada e o acesso oportuno aos exames são importantes para favorecer o diagnóstico precoce e ampliar as possibilidades de tratamento.









