segunda-feira, 28 de setembro de 2026 00:00
Home Notícias Pai doa rim ao filho e mostra que idade não impede doação...

Pai doa rim ao filho e mostra que idade não impede doação em vida

© Divulgação/Ministério da Saúde

 

Arivaldo Sampaio foi considerado apto após avaliação médica e, três anos depois do transplante, mantém rotina de exercícios e acompanhamento anual no HUB.

Em 2023, aos 69 anos, Arivaldo Sampaio decidiu se colocar à disposição para doar um rim ao próprio filho, que havia perdido a função do único rim após passar por sessões quase diárias de hemodiálise. Com o transplante como única alternativa, toda a família foi avaliada como possível doadora. Arivaldo acabou apresentando compatibilidade total com o filho.

De acordo com o Ministério da Saúde, pessoas que doam órgãos em vida podem doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea ou parte dos pulmões. A compatibilidade sanguínea é necessária nesses casos, e o potencial doador precisa passar por uma avaliação médica que considere histórico clínico, doenças prévias e condições gerais de saúde.

A idade, isoladamente, não é um fator que impeça a doação em vida. No caso de Arivaldo, a preocupação inicial era saber se o rim estava saudável e se ele poderia passar pelo procedimento com segurança.

“Tive a felicidade de descobrir que eu era compatível. Esse momento, para mim, foi um momento de graça. Foi uma graça divina mesmo”, contou à Agência Brasil.

O professor de educação física relata que ficou apreensivo antes dos exames. “Me perguntava como estará esse rim. Funcionalmente ele estará bem? Pode mesmo ser doado? Fizemos todos os exames e, graças a Deus, fui considerado apto.”

Segundo Arivaldo, a recuperação após a retirada do rim foi tranquila, com acompanhamento de uma equipe especializada. O filho apresentou funcionamento do órgão transplantado logo após o procedimento. “Meu filho já saiu com o rim funcionando”, afirmou.

Três anos depois

Passados três anos do transplante, Arivaldo mantém uma rotina de atividade física pelo menos cinco vezes por semana, com corrida, musculação e alongamento. Ele também realiza consultas e exames uma vez por ano no Hospital Universitário de Brasília (HUB), que coordenou o processo de transplante.

Para ele, os cuidados adotados ao longo da vida contribuíram para que pudesse ser considerado apto à doação mesmo aos 69 anos.

“Tudo isso é uma prova de que, quando você procura se cuidar, você consegue chegar numa idade mais avançada com mais qualidade de vida. Sou formado em educação física, sou professor, lecionei por 30 anos na rede pública e sempre ensinei aos meus alunos que nossa velhice é consequência do que a gente faz antes, no dia a dia”, disse.

Cenário dos transplantes

Em 2025, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos, o equivalente a 20,3 doadores por milhão de habitantes. Segundo os dados do Sistema Nacional de Transplantes, foi o maior número já registrado no país.

Apesar do avanço, 49,4 mil brasileiros aguardam atualmente na fila por um transplante.

No caso da doação em vida, a legislação brasileira permite que a pessoa doe para parentes de até quarto grau e para o cônjuge sem necessidade de autorização judicial. Para pessoas sem esse grau de parentesco, a doação também pode ocorrer, mas depende de autorização judicial.

Avaliação é mais rigorosa após os 60 anos

O médico nefrologista da Unidade de Transplantes do HUB, Geraldo Freitas, explica que a avaliação de um doador vivo é especialmente cuidadosa porque o procedimento é realizado em uma pessoa saudável que decide voluntariamente doar um órgão.

“Nosso objetivo é minimizar ao máximo os riscos desse procedimento e garantir que o doador possa seguir sua vida com segurança e boa saúde após a doação”, afirmou.

Quando o potencial doador tem mais de 60 anos, a análise tende a ser ainda mais detalhada. São considerados possíveis riscos futuros relacionados à retirada do órgão, além de condições de saúde que podem se tornar mais frequentes com o envelhecimento.

A avaliação pode incluir exames de sangue e urina, análise da função renal, exames de imagem e avaliação cardiovascular. Também são investigados problemas como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares, que podem aumentar os riscos da cirurgia ou comprometer a segurança de viver com apenas um rim.

“É uma questão interessante. Por um lado, com o envelhecimento, aumenta a possibilidade de a pessoa apresentar doenças como hipertensão, diabetes ou problemas cardiovasculares, que podem aumentar os riscos da cirurgia e da própria doação”, explicou Freitas.

A decisão, porém, não é baseada apenas na idade ou em um único resultado de exame. A equipe avalia o estado geral de saúde, a expectativa de vida, a possibilidade de o doador permanecer saudável com um único rim e os riscos associados à cirurgia.

“Ao mesmo tempo, também avaliamos o receptor e o próprio órgão que será doado, verificando se ele apresenta condições adequadas para o transplante e se há uma boa perspectiva de funcionamento prolongado após a cirurgia. Em resumo, precisamos encontrar equilíbrio: garantir que a doação seja segura para quem doa e que o órgão ofereça uma boa perspectiva para quem recebe”, afirmou o médico.

Idade não é impedimento isolado

Freitas reforça que a idade avançada, por si só, não exclui automaticamente uma pessoa da possibilidade de doar um órgão em vida. O envelhecimento, porém, aumenta a probabilidade de doenças que podem contraindicar o procedimento, o que torna a investigação individualizada ainda mais importante.

“É verdade que, com o envelhecimento, aumenta a frequência de algumas doenças que podem contraindicar a doação. Mas, quando essas doenças estão ausentes, associado à função renal adequada, e a avaliação médica demonstra que o indivíduo apresenta boas condições para o procedimento, ela pode ser uma doadora”, afirmou.

O caso de Arivaldo exemplifica esse processo: aos 69 anos, ele passou por uma avaliação completa, foi considerado apto e pôde doar um rim ao filho. Desde então, mantém acompanhamento médico e uma rotina de atividades físicas.

casibomcasibommarsbahiscasibomgiftcardmall mygiftjojobetmarsbahisjojobet