segunda-feira, 28 de setembro de 2026 00:00
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Corrida Sesc nas Pontes reúne 7 mil pessoas em histórias de transformação pessoal

 

De casais que se motivam mutuamente a uma corredora que venceu o câncer: a corrida mais bonita de Brasília mostra que prática esportiva é ponto de virada na vida das pessoas

Adão Ferreira e Raquel Silva são casados. Ele tem 60 anos, e ela completará 50 em breve. Moradores de Samambaia, os dois são parceiros de vida e também de corrida. Antes mesmo de o sol nascer neste domingo (27/9), eles já estavam na concentração para a largada do percurso de 5 km da Corrida Sesc nas Pontes.

“É ela que me coloca em todas”, disse Adão, sorrindo para Raquel.

Raquel confirmou. É ela quem inscreve Adão nas corridas, quem o tira do sofá, quem o chama para a rua. E há, nesse convite, algo que vai além de cruzar uma linha de chegada.

“A qualidade de vida muda muito. A gente sai daquele sedentarismo, tira da cabeça aquela ideia de que, quanto mais idade você tem, mais tem que ficar parado”, disse.

No mesmo espaço, Claudete Monteiro, 50 anos, ajustava os últimos detalhes antes de iniciar o percurso e oficializar um novo começo de vida.

Em 2025, ela foi diagnosticada com câncer na língua, já em estágio avançado. A doença fez com que Claudete precisasse se afastar da corrida de rua e de tudo o que a prática havia colocado em seu caminho. Em novembro daquele ano, veio uma cirurgia. Depois, radioterapia e quimioterapia. Foram sete meses sem falar. Quase um ano longe das pistas.
Neste domingo, porém, Claudete se preparava para a corrida mais importante de sua vida. “Ainda estou em acompanhamento, mas estou curada. Retomo aqui no Sesc nas Pontes as minhas corridas”, comemora emocionada.

O último percurso que havia feito antes do tratamento também tinha sido em uma corrida promovida pelo Sesc. Por isso, voltar justamente ali tinha um sentido especial. Era mais do que uma corrida de retorno. “Agora estou retornando, também em uma corrida do Sesc, para comemorar a vida”, disse.

Na chegada, depois de cumprir o percurso, Lourival Filho de Jesus dançava com o filho, o irmão e dois sobrinhos ao som do pagode do grupo Benzadeus. Os cinco haviam feito juntos a Corrida Sesc nas Pontes.

“Minha esposa só não veio porque está viajando”, fez questão de registrar Lourival, que levou a corrida para dentro da família. “Como eu me apaixonei pela corrida e vi o tanto que é bom, decidi incluir a família. Então eu sempre inscrevo todo mundo. Se Deus quiser, vou conseguir trazer mais gente na próxima”, disse o morador do Núcleo Bandeirantes.

As histórias de Adão e Raquel, Claudete, Lourival e de tantas outras milhares de pessoas se cruzaram na 3ª edição da Corrida Sesc nas Pontes, realizada neste domingo (27/9). Diversas e distintas, essas histórias se conectam por encontrarem na corrida de rua uma forma de transformação pessoal.

“O Sesc vem fazendo essas corridas de rua e, com isso, gera qualidade de vida, bem-estar, integração da sociedade, ocupação da cidade. Aqui, a gente vê famílias, grupos de amigos, casais; um público diverso e plural. O evento é um sucesso. Nesta edição, reuniu 7 mil inscritos. Tem gente até de outros estados que vem pra cá para participar do Sesc nas Pontes, que tem paisagens maravilhosas e pode ser considerada a corrida mais bonita de Brasília”, afirma, com orgulho, o presidente da Fecomércio-DF, José Aparecido Freire.

Tudo começa no sonho

Quem escolhe a corrida de rua carrega consigo coisas que não podem ser superadas por qualquer que seja a tecnologia aplicada no aperfeiçoamento da prática esportiva. Superação, equilíbrio mental, saúde, conexão com a cidade e com a comunidade.

Inspirado nessa dimensão de sonho que o artista brasiliense Daniel Toys criou a identidade visual da Corrida Sesc nas Pontes. Defensor da ideia de que “todo começa no sonho”, Toys imprimiu na arte da corrida a paixão pela cidade.

“A minha maior inspiração é a vida, a nossa cidade, o Cerrado, o Lago Paranoá, as árvores tortas, a seca, a chuva. Eu adoro Brasília, adoro o horizonte de Brasília, a arquitetura, os monumentos, as cores. Como a corrida envolve as três pontes que cortam o Lago Paranoá, foi muito legal brincar com a arquitetura de cada uma delas, além de trazer a alegria do Lago Paranoá e o sonho da cidade, pois Brasília nasce de um sonho”, afirma Daniel Toys, que observa no esporte poder de transformação semelhante ao proporcionado pela arte.

O Sesc nas Pontes é a única corrida de rua do Distrito Federal que tem percursos simultâneos na Ponte JK, na Ponte Honestino Guimarães e na Ponte das Garças, três cartões postais da cidade, com percursos de 5 km, 10 km e 16 km. Os percursos são distintos, assim como as histórias que os atravessam. Mas dialogam inevitavelmente ao mostrarem que, de alguma forma, há sempre uma estrada a ser trilhada.

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