quarta-feira, 23 de setembro de 2026 15:15
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Lula defende soberania e critica interferência estrangeira em discurso na ONU

 

 

Presidente citou América Latina, desinformação, combate ao crime organizado, mudanças climáticas e negacionismo durante abertura da Assembleia Geral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania dos países e o direito à autodeterminação dos povos durante discurso nesta terça-feira (22), na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O Debate Geral da sessão ocorre de 22 a 28 de setembro e reúne líderes dos 193 Estados-membros da organização.

Ao abordar a situação da América Latina e do Caribe, Lula afirmou que a proximidade geográfica com grandes potências gera pressões sobre os países da região e criticou o que classificou como tentativas de interferência em processos políticos nacionais.

“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou.

O presidente também citou situações envolvendo Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba. Segundo Lula, a região passou por um processo de reconstrução democrática depois de períodos de ditadura e autoritarismo e, por isso, defendeu maior integração entre os países latino-americanos e respeito à autodeterminação.

“Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para uma maior integração entre vizinhos”, disse.

Democracia e desinformação

Lula afirmou que a democracia voltou a enfrentar riscos e criticou a interferência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e o que chamou de investidas neocoloniais relacionadas a recursos estratégicos.

O presidente também mencionou as redes de desinformação e afirmou que o Estado brasileiro estará atento a possíveis tentativas de interferência durante períodos eleitorais.

“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho”, declarou.

Ciência, saúde e clima

Outro ponto abordado foi o avanço da desinformação sobre temas científicos. Lula criticou o negacionismo e citou especialmente a disseminação de informações falsas relacionadas à saúde e ao meio ambiente.

Ao falar sobre a pandemia de covid-19, o presidente mencionou as mortes provocadas pela doença e criticou campanhas contrárias à vacinação. Também defendeu o fortalecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na área ambiental, Lula afirmou que o combate às mudanças climáticas perdeu espaço em fóruns internacionais e defendeu a retomada do tema nas discussões entre as maiores economias do mundo.

Segurança pública

Na área de segurança, Lula rejeitou a participação de forças estrangeiras em ações de combate ao crime organizado dentro do território brasileiro. Segundo o presidente, a cooperação internacional deve ocorrer principalmente em áreas como combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

“Não vamos transferir a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”, afirmou.

Lula também citou a proposta apresentada pelo Brasil aos Estados Unidos para ampliar a cooperação no combate à lavagem de dinheiro realizada por organizações criminosas brasileiras no exterior.

“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas; precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado”, disse.

O presidente afirmou ainda que o Brasil vem ampliando a articulação entre os estados e fortalecendo ações de combate às organizações criminosas.

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