sábado, 12 de setembro de 2026 12:12
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Hospital de Base completa 66 anos com histórias marcadas por dedicação e superação

Cristina Hiramoto, do Núcleo de Pessoas: “Estar com pessoas queridas e compartilhar momentos traz um pouco mais de leveza aos meus dias” Foto : Divulgação

Profissionais compartilham experiências que atravessam décadas de trabalho, desafios na saúde pública, momentos de luto e histórias vividas ao lado de pacientes e familiares

 

O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) completa 66 anos neste sábado (12) marcado por histórias de profissionais que construíram parte de suas trajetórias dentro da instituição. Para celebrar a data, quatro colaboradores foram escolhidos para representar os milhares de trabalhadores que fazem parte da história do hospital.

Com o tema “Sua dedicação é a nossa marca”, a campanha de aniversário destaca experiências de servidores e colaboradores que tiveram suas vidas atravessadas pelo Hospital de Base. Atualmente, a instituição conta com 5.031 colaboradores e é referência em atendimentos de alta complexidade, além de atuar nas áreas de ensino, pesquisa e assistência.

Desafios e aprendizados na saúde pública

O assistente administrativo Antônio Rodrigues dos Santos, do Núcleo de Patrimônio, começou a trabalhar no Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) em 2019, como auxiliar de humanização.

Ao longo da trajetória, passou por diferentes unidades e funções. Trabalhou na linha de frente durante os primeiros meses da pandemia de covid-19, participou da estruturação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Planaltina e, posteriormente, assumiu atividades relacionadas à gestão patrimonial.

“Cada mudança trouxe novos aprendizados”, conta. Segundo ele, as experiências permitiram conhecer diferentes realidades e desenvolver a capacidade de adaptação diante dos desafios.

“Tenho orgulho do caminho construído até aqui e sigo buscando crescer profissionalmente para contribuir cada vez mais com o IgesDF”, afirma.

Acolhimento durante o luto

A analista Cristina Hiramoto, do Núcleo de Pessoas, chegou ao Hospital de Base em julho de 2019. Desde então, construiu vínculos com colegas que se transformaram em uma rede de apoio durante um dos períodos mais difíceis de sua vida.

Em abril deste ano, Cristina perdeu a filha, aos 19 anos. Desde então, tem enfrentado o processo de luto contando também com o acolhimento das pessoas com quem convive diariamente no hospital.

“Estar com pessoas queridas e compartilhar momentos traz um pouco mais de leveza aos meus dias”, relata. Para ela, esse apoio não representa esquecer a filha, mas encontrar forças para continuar.

Quando o hospital também se torna lugar de cuidado da família

A auxiliar de serviços gerais Adalgisa Francisca Dourado conhece o Hospital de Base pela rotina profissional. Há dois anos, porém, passou a enxergar a instituição por uma perspectiva diferente: a de mãe de um paciente.

O filho sofreu um grave acidente de carro e precisou ser atendido no mesmo hospital onde ela trabalha. Durante 12 dias, Adalgisa acompanhou de perto o tratamento e a recuperação dele.

“Foi muito difícil vê-lo naquela situação”, recorda. Ela conta que chegou a acreditar que o filho poderia perder os dois olhos, mas conseguiu se recuperar graças ao atendimento recebido.

“Foi um momento que me marcou profundamente e que reforçou ainda mais minha gratidão”, afirma.

36 anos de história no Hospital de Base

Entre os profissionais que têm a trajetória mais longa ligada à instituição está o cardiologista José Joaquim Vieira Júnior, gerente do Cuidado Ambulatorial. São 36 anos de trabalho no Hospital de Base.

Durante os cinco anos de residência médica, ele chegou a morar no próprio hospital, no 12º andar. A experiência contribuiu para fortalecer a relação com a unidade e com os profissionais que fazem parte de sua rotina.

Entre as lembranças mais marcantes está o atendimento a mais de 40 vítimas de um acidente envolvendo o capotamento de um ônibus nas proximidades da Torre de TV.

“Os pacientes começaram a chegar logo cedo, durante a troca de plantão”, lembra. Segundo o cardiologista, os residentes desceram para auxiliar nos atendimentos e participaram da triagem, definindo quais pacientes precisavam ser encaminhados ao centro cirúrgico, realizar exames ou receber outros cuidados.

Pelo trabalho realizado na ocasião, os profissionais envolvidos receberam posteriormente um elogio oficial do então governador Joaquim Roriz.

Ao completar 66 anos, o Hospital de Base reúne, assim, diferentes gerações e trajetórias profissionais, com histórias que vão além dos atendimentos médicos e refletem a relação construída entre trabalhadores, pacientes e famílias ao longo das décadas.

Com informações do IgesDF.