
Candidato à Presidência questionou se ministra do STF será favorável à abertura de apuração formal contra Alexandre de Moraes no caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) cobrou neste domingo (6) um voto favorável da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia à abertura de uma investigação formal contra o também ministro Alexandre de Moraes, caso o tema seja levado ao plenário da Corte.
Durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Flávio afirmou que o país aguarda a posição da ministra e questionou se ela permitiria a apuração contra Moraes.
“Carmen Lúcia, o Brasil está aguardando para ver como vai ser o seu voto na semana que vem, se a senhora vai autorizar que o Alexandre de Moraes seja formalmente investigado, ou se a senhora vai passar a mão na cabeça dele”, afirmou.
O candidato também disse que uma eventual decisão contrária à investigação poderia prejudicar a trajetória da ministra.
“Com tudo isso que já veio à tona, vai ficar muito ruim para sua história, para sua biografia”, completou.
Caso Master
A manifestação de Flávio ocorre em meio à crise envolvendo o chamado Caso Master e informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero.
O relatório da PF aponta uma suposta proximidade entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Segundo o documento, em conversas com o ministro antes de sua prisão, o ex-banqueiro teria perguntado sobre a possibilidade de deixar o país e expressado gratidão ao magistrado.
“Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você”, teria afirmado Vorcaro em uma das mensagens.
A investigação também identificou indícios de ao menos seis encontros entre Vorcaro e Moraes realizados entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025.
Na decisão que retirou o sigilo da ação que apura as mensagens entre Vorcaro e Moraes, o ministro André Mendonça sugeriu que o caso seja analisado pelo plenário do STF.
Segundo apuração da CNN Brasil, Mendonça pretende levar o relatório ao plenário ainda nesta semana. A definição da data, no entanto, cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Críticas a Cármen Lúcia
Durante a transmissão, Flávio também questionou se Cármen Lúcia manteria posições que, segundo ele, marcaram sua atuação anterior no Supremo, especialmente em relação à democracia, liberdade e combate à impunidade.
“Eu queria ver aquela Cármen Lúcia de dez anos atrás, que era contra a censura. […] Como é que ela, que sempre se disse uma defensora da democracia, da liberdade, que sempre foi contra a impunidade, como é que ela vai se colocar agora?”, afirmou.
O candidato ainda questionou se a ministra atuaria para proteger as instituições ou se defenderia Moraes por serem colegas de plenário.
Outros integrantes citados
A crise também envolve o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo as informações apresentadas no relatório, ambos aparecem em episódios relacionados às investigações sobre o Banco Master.
Gonet é citado em mensagens trocadas com Vorcaro, em conversas intermediadas pelo advogado Ciro Soares entre abril de 2024 e junho de 2025. As mensagens mencionavam viagens, bebidas, charutos e o envio de fotografias.
Andrei Rodrigues também é citado em uma conversa entre Vorcaro e Moraes. Na ocasião, o ex-banqueiro teria questionado o ministro sobre a possibilidade de reverter as investigações envolvendo o Master com a ajuda do diretor-geral da PF.
As suspeitas relacionadas a Gonet e Rodrigues fazem parte do contexto da crise, mas as informações apresentadas não equivalem, por si só, a uma conclusão sobre eventual irregularidade ou responsabilidade dos citados.
Confronto entre Moraes e Mendonça
Na quinta-feira (3), Alexandre de Moraes, por meio do inquérito das Fake News, acusou André Mendonça de improbidade administrativa e abuso de autoridade durante a relatoria do Caso Master.
Na mesma decisão, Moraes pediu a Edson Fachin a abertura de uma ação contra Mendonça, sob a alegação de que o colega teria atuado fora das regras jurídicas.
Fachin afirmou que a resposta institucional à crise será “firme, proporcional e rigorosa”. O presidente do Supremo declarou que nenhuma autoridade está acima da Constituição e que nenhum interesse pode se sobrepor à defesa do Estado Democrático de Direito.
“Não haverá precipitação, mas tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, afirmou Fachin.
Ainda na quinta-feira, o presidente do STF determinou prazo de cinco dias para que Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e Paulo Gonet apresentem manifestações sobre os fatos relacionados ao Caso Master.
Após receber as explicações, Fachin deverá reunir as informações dos envolvidos e avaliar a regularidade das apurações. A partir dessa análise, poderá definir os próximos passos do caso, inclusive a possibilidade de levar a questão ao plenário do STF.









