quarta-feira, 29 de julho de 2026 17:17
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Anvisa aprova registro de cinco novas canetas de semaglutida para tratamento do diabetes tipo 2

 

Medicamentos sintéticos poderão ser comercializados no Brasil como complemento à dieta e aos exercícios; agência também alerta para golpes envolvendo canetas emagrecedoras e para a venda ilegal da Retatrutida.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida destinados ao tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 que não apresentam controle adequado da doença. Popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, os produtos também contribuem para a perda de peso por promoverem maior sensação de saciedade.

Os registros foram concedidos aos medicamentos Owozy, da Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos Ltda.; Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil Ltda.; Zempneo, da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.; Semavy, da Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A.; e Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica Ltda.

Os novos produtos foram autorizados para uso como complemento à alimentação saudável e à prática de exercícios físicos, especialmente nos casos em que o tratamento com metformina não é indicado devido à intolerância ou contraindicações apresentadas pelo paciente.

As aprovações constam nas Resoluções nº 2.941/2026 e nº 2.942/2026, publicadas nesta quarta-feira (29) no Diário Oficial da União.

Segundo a Anvisa, os medicamentos foram registrados por comparação com o Ozempic, produto biológico já comercializado no país. Todos utilizam como princípio ativo a semaglutida produzida por via sintética, um análogo do hormônio GLP-1, responsável por estimular a produção de insulina e auxiliar no controle da glicemia e da saciedade.

A agência informou que esta representa a maior aprovação de registros de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 já realizada no Brasil. O crescimento na procura por esse tipo de produto está relacionado ao desenvolvimento, em laboratório, de versões sintéticas do hormônio natural, tecnologia disponível desde 2022.

Atualmente, 68% de todos os pedidos de registro protocolados na Anvisa para medicamentos injetáveis voltados ao tratamento da obesidade e do diabetes correspondem a produtos sintéticos.

A Anvisa também reforçou que sua atuação se limita à autorização para comercialização dos medicamentos, sem qualquer participação na venda dos produtos. O registro tem como objetivo garantir que os medicamentos atendam aos requisitos de segurança, eficácia e qualidade antes de chegarem ao mercado brasileiro.

Diante do aumento da procura por esses tratamentos, a agência alertou para golpes praticados na internet. Segundo a Anvisa, são falsas as propagandas que afirmam vender canetas emagrecedoras diretamente por meio da instituição. A recomendação é que os consumidores denunciem esse tipo de fraude por meio da plataforma Fala.BR.

Outro alerta emitido pela agência diz respeito à Retatrutida, medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly. A Anvisa esclareceu que o produto ainda está em fase de pesquisa clínica, não possui aprovação para uso em nenhum país e sequer teve pedido de registro protocolado junto ao órgão regulador brasileiro ou a outras agências internacionais.

Apesar disso, a Retatrutida tem sido comercializada ilegalmente por meio de sites e redes sociais. Segundo a agência, diversos lotes já foram apreendidos nas fronteiras brasileiras por se tratarem de produtos contrabandeados.

A Anvisa adverte que o consumo de medicamentos de origem desconhecida representa riscos imprevisíveis à saúde e orienta a população a utilizar apenas produtos regularmente registrados e adquiridos em estabelecimentos autorizados. Para esclarecer dúvidas, a agência disponibiliza em seu portal informações sobre medicamentos autorizados, experimentais, importados e falsificados.