quinta-feira, 18 de junho de 2026 20:20
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Economia brasileira cresce em abril e demonstra resiliência diante de juros altos e pressão do petróleo

© Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Monitor do PIB da FGV aponta avanço de 0,1% no mês e expansão de 1,8% na comparação com abril do ano passado

A economia brasileira registrou crescimento de 0,1% na passagem de março para abril de 2026, mesmo em um cenário marcado por juros elevados e pela alta do preço internacional do petróleo. Os dados fazem parte do Monitor do PIB, levantamento mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e divulgado nesta quinta-feira (18).

Na comparação com abril de 2025, a atividade econômica apresentou expansão de 1,8%. Já no trimestre móvel encerrado em abril — que engloba os meses de fevereiro, março e abril — o crescimento foi de 1,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, a alta chegou a 2%.

O estudo reúne informações dos setores de indústria, comércio, serviços e agropecuária para estimar o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede a produção de bens e serviços no país.

Segundo a coordenadora da pesquisa, a economista Juliana Trece, o resultado revela uma economia que tem conseguido manter estabilidade mesmo diante de desafios internos e externos.

“A maior parte dos componentes da economia teve desempenho positivo, indicando certa resiliência em meio ao cenário de juros elevados e aumento do preço do barril do petróleo, como uma das consequências da guerra no Oriente Médio”, destacou.

Juros altos e impacto do petróleo

Durante praticamente todo o mês de abril, a taxa Selic permaneceu em 14,75% ao ano. O patamar elevado faz parte da estratégia do Banco Central para conter a inflação, reduzindo o consumo e desacelerando a alta dos preços.

No final de abril, a autoridade monetária promoveu um corte de 0,25 ponto percentual, movimento repetido nesta semana, reduzindo a taxa para 14,25%.

A cautela do Banco Central está relacionada, entre outros fatores, ao cenário internacional. O conflito envolvendo o Irã provocou uma elevação nos preços do petróleo, impactando combustíveis como gasolina e diesel em diversos países. Para amenizar os efeitos, o governo federal adotou medidas como redução de tributos e concessão de subsídios para produtores e importadores de combustíveis.

Consumo, exportações e investimentos avançam

Entre os principais indicadores analisados pela FGV, o consumo das famílias apresentou crescimento de 2,6% no trimestre móvel encerrado em abril, alcançando o melhor resultado desde fevereiro de 2025.

As exportações tiveram destaque ainda maior, com avanço de 9,3% no período. De acordo com o estudo, cerca de 60% desse desempenho foi impulsionado pelas vendas externas de produtos da indústria extrativa, que cresceram 27,8%.

Outro dado positivo veio da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede os investimentos produtivos da economia, como aquisição de máquinas e equipamentos. O índice registrou alta de 0,7%, interrompendo uma sequência de quatro trimestres móveis consecutivos de retração.

A taxa de investimento da economia brasileira foi estimada em 18% em abril. Em valores correntes, o PIB acumulado de janeiro a abril alcançou R$ 4,376 trilhões.

Indicadores reforçam cenário de crescimento

O Monitor do PIB é considerado um dos principais termômetros da atividade econômica nacional. Outro indicador relevante, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na quarta-feira (17), também apontou expansão da economia, com crescimento de 0,5% entre março e abril e alta de 1,6% em 12 meses.

O resultado oficial do PIB brasileiro é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No primeiro trimestre de 2026, a economia cresceu 1,1%, e a próxima divulgação, referente ao segundo trimestre, está prevista para o dia 1º de setembro.