Copom reduz Selic com cautela diante de tensões no Oriente Médio e inflação persistente

© Marcello Casal JrAgência Brasil

 

Banco Central do Brasil aponta incertezas externas e risco inflacionário como fatores para corte moderado dos juros


As incertezas provocadas pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e a perspectiva de inflação elevada por mais tempo levaram o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, a adotar uma postura cautelosa na condução da política monetária. A informação consta na ata divulgada nesta terça-feira (5), referente à reunião da semana passada, quando a taxa Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, passando a 14,5% ao ano.

Segundo o documento, o colegiado optou por uma redução moderada dos juros diante do cenário internacional incerto, especialmente em função dos desdobramentos do conflito envolvendo Estados Unidos e Irã. A tensão na região tem impactado rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, elevando os riscos para a inflação global.

O Copom destacou que segue monitorando atentamente os efeitos desses მოვლენos sobre os preços, principalmente em relação às cadeias de produção e distribuição, além de possíveis impactos indiretos decorrentes da alta nos preços de combustíveis e fertilizantes. O comitê também citou incertezas ligadas à política econômica dos Estados Unidos como fator adicional de preocupação.

No cenário doméstico, a autoridade monetária alertou para a chamada “desancoragem” das expectativas de inflação em prazos mais longos. De acordo com projeções do mercado, reunidas no Boletim Focus, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 4,89%, acima do centro da meta. Para 2027 e 2028, as estimativas também indicam inflação acima do ideal.

A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o intervalo considerado aceitável vai de 1,5% a 4,5%.

O Banco Central ressaltou que, quando as expectativas de inflação se afastam da meta, o custo para controlá-la se torna mais elevado, justificando a manutenção de uma política monetária restritiva, mesmo em um cenário de início de queda dos juros.

Apesar dos riscos, o Copom avaliou que ainda há espaço para a continuidade do ciclo de redução da Selic, iniciado após um longo período em patamar elevado — que chegou a 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. No entanto, o ritmo dos cortes deverá seguir condicionado à evolução do cenário econômico e à maior clareza sobre os impactos dos conflitos internacionais.

A taxa básica de juros é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, influenciando diretamente o custo do crédito, o consumo e os investimentos no país.