
Alta da gasolina e de itens como tomate e leite impulsionam IPCA, que acumula 4,14% em 12 meses
A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, registrou alta de 0,88% em março, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado representa avanço de 0,18 ponto percentual em relação a fevereiro, quando o índice ficou em 0,70%.
No acumulado do ano, o IPCA soma alta de 1,92%, enquanto, nos últimos 12 meses, chega a 4,14%, acima dos 3,81% registrados no período anterior. Em março de 2025, a inflação havia sido de 0,56%.
O principal fator de pressão sobre os preços veio do grupo transportes, que subiu 1,64%, seguido por alimentação e bebidas, com alta de 1,56%. Juntos, esses dois grupos responderam por 76% da inflação do mês.
A gasolina foi o item de maior impacto individual, com aumento de 4,59%, contribuindo com 0,23 ponto percentual no índice. Também tiveram influência a alta das passagens aéreas (6,08%) e do diesel (13,90%).
No grupo de alimentação, os maiores aumentos foram registrados no leite longa vida (11,74%) e no tomate (20,31%), que, juntos, tiveram impacto relevante no resultado final. Ao todo, cinco itens — incluindo combustíveis e alimentos — responderam por quase metade da inflação de março.
De acordo com o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, já é possível observar efeitos do cenário internacional nos preços, especialmente nos combustíveis. Ele destacou ainda que a alta nos alimentos consumidos em casa foi a mais intensa desde abril de 2022, influenciada pela redução da oferta de alguns produtos e pelo aumento do custo do frete.
Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram elevação de preços no mês, com variações que foram de 0,02% em educação a 0,65% em despesas pessoais.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor, que mede a inflação para famílias de menor renda, também registrou aceleração, com alta de 0,91% em março, acima dos 0,56% de fevereiro. Em 12 meses, o índice acumula 3,77%.
Entre os grupos do INPC, destacaram-se despesas pessoais (0,65%), influenciadas por serviços como cinema e teatro, e saúde e cuidados pessoais (0,42%), com impacto dos reajustes em planos de saúde.
Regionalmente, Salvador apresentou a maior variação do IPCA (1,47%), puxada pela forte alta da gasolina e das carnes. Já Rio Branco teve a menor inflação (0,37%), beneficiada pela queda nos preços da energia elétrica e das frutas.
O IPCA reflete o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, enquanto o INPC considera famílias com renda de um a cinco salários mínimos, sendo referência importante para reajustes salariais e políticas públicas.










