
Ministro da Saúde compara vício em bets ao tabagismo e destaca medidas de proteção a crianças e famílias
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quinta-feira (9) que o vício em apostas online representa um problema de saúde pública comparável ao tabagismo. A declaração foi feita durante participação no programa Alô Alô Brasil, apresentado por José Luiz Datena, na Rádio Nacional.
Segundo o ministro, é necessário adotar medidas mais rigorosas para restringir a publicidade das chamadas “bets”, especialmente no que diz respeito à proteção de crianças e adolescentes. “Pra mim hoje, o problema das bets é um problema de vício na mesma dimensão que foi o do cigarro”, afirmou. Padilha relembrou que, no passado, a publicidade do cigarro era amplamente difundida, inclusive em eventos esportivos, e destacou que a restrição dessas propagandas contribuiu para a redução do consumo.
Entre as iniciativas do governo federal, o ministro citou a suspensão de publicidade de apostas voltada ao público infantojuvenil. Ele também destacou ações do Sistema Único de Saúde (SUS), como um programa de teleatendimento gratuito que oferece suporte a pessoas com compulsão por jogos, com acompanhamento de psicólogos e terapeutas ocupacionais.
Outra medida mencionada é o programa de autoexclusão, que permite ao cidadão bloquear, de forma simultânea, todas as contas em sites de apostas autorizados pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, como forma de controle e prevenção.
O tema também foi abordado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, que demonstrou preocupação com os impactos das apostas online nas famílias brasileiras. Em entrevista ao ICL Notícias na quarta-feira (8), Lula afirmou que, se dependesse dele, as apostas seriam encerradas, mas ressaltou que a decisão cabe ao Congresso Nacional.
O presidente alertou para o fácil acesso às plataformas digitais, destacando que crianças e adolescentes podem utilizar dispositivos móveis para apostar, muitas vezes sem supervisão. “Hoje o cassino está dentro da sua casa”, disse.
Como parte das medidas de proteção, Lula mencionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entrou em vigor recentemente. A legislação estabelece regras mais rígidas para plataformas digitais, incluindo verificação de idade, remoção imediata de conteúdos ilegais e maior proteção de dados pessoais, especialmente em relação ao uso comercial e publicitário.










