Relatório da CPMI do INSS pede indiciamento de 216 pessoas por fraudes em benefícios

© Lula Marques/ Agência Brasil

 

 

Documento com mais de 4 mil páginas aponta políticos, empresários e ex-dirigentes como envolvidos em esquema de descontos ilegais

O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social pediu o indiciamento de 216 pessoas por suposto envolvimento em um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. O documento, com mais de 4 mil páginas, começou a ser lido na manhã desta sexta-feira (27).

O texto foi apresentado pelo relator, deputado Alfredo Gaspar, após o Supremo Tribunal Federal rejeitar, na quinta-feira (26), a prorrogação dos trabalhos da comissão. Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, após a leitura será concedido prazo de uma hora para análise antes da votação. Parlamentares ainda poderão debater o relatório por até 10 minutos cada, e há expectativa de apresentação de um texto alternativo por integrantes da base governista.

Entre os principais nomes indicados está Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, apontado como líder do esquema. Também foram indiciados seus familiares, além do empresário Maurício Camisotti, descrito como operador, e do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

O relatório inclui ainda ex-ministros da Previdência, como José Carlos Oliveira e Carlos Lupi, além de ex-presidentes do INSS e diversos servidores e dirigentes do órgão. Também aparecem na lista parlamentares, como o senador Weverton Rocha, deputados federais e um deputado estadual.

Outro nome citado é o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o relator, ele teria recebido repasses vinculados ao esquema por meio de terceiros.

O documento também solicita o indiciamento de dirigentes de entidades e executivos de instituições financeiras, além de integrantes de órgãos públicos, incluindo a Dataprev e a Caixa Econômica Federal.

Os investigados são acusados de uma série de crimes, como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, fraude eletrônica, peculato, falsidade ideológica, entre outros delitos relacionados à administração pública e ao sistema financeiro.

Apesar do pedido de indiciamento, os nomes citados só se tornarão réus caso o Ministério Público apresente denúncia formal, que deverá ser aceita pela Justiça.