
Dona das redes Pão de Açúcar e Extra busca acordo com credores financeiros e terá prazo de 90 dias para formalizar plano definitivo; ações chegaram a cair quase 9% após anúncio.
O Grupo Pão de Açúcar (GPA), responsável pelas redes de supermercados Extra e Pão de Açúcar, anunciou nesta terça-feira (10) um acordo de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. A medida foi comunicada ao mercado por meio de um fato relevante e abre um prazo de 90 dias para que a companhia negocie e formalize um acordo definitivo com seus credores.
Logo após o anúncio, o mercado reagiu negativamente. Por volta das 10h30, as ações da empresa registravam queda de 8,79% na bolsa de valores.
Segundo o GPA, o processo de renegociação não envolve fornecedores, clientes ou funcionários e não deve afetar o funcionamento das lojas. As operações seguem normalmente em todas as unidades abertas. A empresa explicou que o endividamento em negociação foi contraído principalmente com credores financeiros não operacionais, como instituições financeiras.
A aprovação inicial do plano contou com a adesão de 46% do total de créditos sujeitos ao processo, o equivalente a aproximadamente R$ 2,1 bilhões. O percentual supera o quórum mínimo legal de um terço necessário para acordos de recuperação extrajudicial.
Em comunicado ao mercado, a companhia afirmou confiar que conseguirá ampliar o apoio entre os credores. “A Companhia confia que conseguirá o apoio da maioria dos créditos sujeitos ao processo e espera chegar a uma solução estruturada que resolva simultaneamente a liquidez de curto prazo e a sustentabilidade financeira de longo prazo”, informou no fato relevante.
Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, a situação do GPA guarda semelhanças com o processo enfrentado pelas Casas Bahia em 2024. Segundo ele, o elevado nível de endividamento, especialmente relacionado aos prazos de pagamento, levou a empresa a buscar o alongamento das dívidas como forma de recuperar fôlego financeiro.
“A saída encontrada foi justamente alongar a dívida para dar um pouco mais de fôlego à operação e permitir que a empresa reencontre um ponto de equilíbrio”, explicou.
Cenário de dificuldades financeiras
No balanço financeiro mais recente, o GPA já havia alertado para uma “incerteza relevante” sobre a continuidade operacional da companhia. Durante a teleconferência com investidores, a direção da empresa afirmou que seriam necessárias mudanças estruturais e culturais, além de priorizar a redução do endividamento.
No quarto trimestre do ano passado, o grupo registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 572 milhões. Apesar de representar uma redução de 48,2% em relação ao prejuízo de R$ 1,1 bilhão registrado no mesmo período de 2024, o resultado ainda reforça o cenário de perdas recorrentes enfrentado pela empresa.
Mesmo com melhora em alguns indicadores operacionais e geração positiva de caixa recorrente, a companhia continua registrando prejuízos no período, segundo o relatório financeiro.
As dificuldades também provocaram mudanças importantes na estrutura de comando do grupo. Em agosto do ano passado, o Grupo Coelho Diniz tornou-se o principal acionista, com 24,6% das ações. O grupo francês Casino, antigo controlador, ainda mantém uma participação de 22,5%.
Em outubro, o empresário André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração. Pouco tempo depois, o então presidente-executivo Marcelo Pimentel, que ocupava o cargo desde 2022, renunciou. Já no início de 2026, Alexandre de Jesus Santoro assumiu como novo diretor-presidente da companhia.
Na avaliação de analistas, o processo de reestruturação pode abrir espaço para novas mudanças na estrutura da empresa, incluindo possíveis parcerias ou entrada de novos investidores no capital.










