Mercado mantém projeções para crescimento da economia e inflação em 2026

© Valter Campanato/Agência Brasil

 

Boletim Focus aponta estabilidade nas previsões do PIB e do IPCA, enquanto expectativa para taxa Selic no fim de 2026 sobe para 12,13% ao ano

 

 

As previsões do mercado financeiro para os principais indicadores econômicos do Brasil em 2026 permaneceram estáveis, segundo a edição desta segunda-feira (9) do Boletim Focus, divulgada pelo Banco Central do Brasil. O relatório reúne semanalmente estimativas de instituições financeiras sobre crescimento econômico, inflação, juros e câmbio.

De acordo com o levantamento, a expectativa para o crescimento da economia brasileira em 2026 foi mantida em 1,82%. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 1,8%, enquanto para 2028 e 2029 a estimativa é de expansão de 2% ao ano.

O desempenho ocorre após o crescimento de 2,3% registrado em 2025, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado marcou o quinto ano consecutivo de expansão da economia brasileira, com destaque para o setor agropecuário.

No câmbio, a previsão do mercado é de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,41. Para o fim de 2027, a estimativa é que a moeda norte-americana alcance R$ 5,50.

Inflação dentro da meta

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, também permaneceu estável em 3,91% para 2026. Para 2027, a estimativa foi ajustada de 3,79% para 3,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado projeta inflação de 3,5% em ambos os anos.

A estimativa para este ano permanece dentro da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — ou seja, entre 1,5% e 4,5%.

Em janeiro, a inflação foi pressionada principalmente pelo aumento nos preços da energia elétrica e da gasolina, fazendo o IPCA registrar alta de 0,33%, mesmo índice observado em dezembro. Com isso, o indicador acumulou 4,44% em 2025, segundo o IBGE. O resultado da inflação de fevereiro será divulgado na próxima quinta-feira (12).

Juros seguem elevados

Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal instrumento a Taxa Selic, definida atualmente em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Esse é o maior patamar da taxa desde julho de 2006.

Apesar da desaceleração da inflação e da cotação do dólar, o Copom decidiu manter os juros pela quinta reunião consecutiva. Segundo a ata do encontro mais recente, o colegiado sinalizou que poderá iniciar um ciclo de redução da taxa na reunião de março, caso o cenário econômico permaneça estável.

Ainda assim, a expectativa do mercado é de que a Selic encerre 2026 em 12,13% ao ano, acima da projeção anterior de 12%. Para os anos seguintes, as estimativas indicam queda gradual da taxa para 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,5% em 2029.

A elevação da Selic costuma ser utilizada para conter o consumo e reduzir pressões inflacionárias, já que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Por outro lado, taxas elevadas também podem desacelerar o crescimento econômico ao dificultar investimentos e consumo. Quando ocorre o movimento contrário, com redução dos juros, o crédito tende a ficar mais barato, estimulando a produção e a atividade econômica.