
Novo chip Snapdragon Wear Elite permitirá que óculos, pingentes e broches inteligentes rodem IA, mas desafios de privacidade ainda preocupam o setor
A próxima geração de dispositivos tecnológicos pode não ter telas e pode operar de forma quase imperceptível ao usuário, inclusive gravando o ambiente ao redor. Nesta segunda-feira (2), a Qualcomm, fabricante de chips que equipam smartphones de marcas como Samsung, Motorola e Meta, lançou o Snapdragon Wear Elite, projetado para novas categorias de produtos vestíveis, como pingentes, broches e óculos inteligentes.
Segundo a empresa, o lançamento reflete o interesse crescente do setor em dispositivos discretos que executam inteligência artificial (IA) e interagem com outros aparelhos sem consumir muita bateria. “Isso te dá uma capacidade que você basicamente não tinha antes do dispositivo”, disse Ziad Asghar, líder da divisão de dispositivos vestíveis e IA pessoal da Qualcomm.
Tentando superar o smartphone
O objetivo é que os novos dispositivos façam tarefas que os smartphones não conseguem executar de forma eficiente, como traduções instantâneas, reconhecimento de ambiente e respostas contextuais personalizadas. Óculos inteligentes, fones de ouvido e pingentes podem exibir informações no campo de visão do usuário ou transmiti-las diretamente ao ouvido, sem necessidade de olhar para a tela do celular.
Asgar apontou que o setor varejista também demonstra interesse em utilizar câmeras de IA para rastrear o olhar dos consumidores, permitindo experiências de compra mais personalizadas. Além disso, o sucesso inicial dos óculos inteligentes, com crescimento de 139% nas remessas globais no segundo semestre de 2025, reforça a demanda por dispositivos vestíveis.
Grandes nomes e startups na corrida
Meta, Google e Samsung investem pesado em óculos inteligentes capazes de analisar o ambiente em tempo real. A Amazon aposta na pulseira gravadora de voz Bee para integrar à Alexa, enquanto a Apple estaria desenvolvendo óculos e pingentes inteligentes. Startups como Friend AI e Plaud também estão explorando pingentes e broches equipados com IA.
O Google, que ainda não anunciou novos produtos além de óculos, relógios, celulares e fones de ouvido, afirma monitorar atentamente a evolução desse mercado. Bjorn Kilburn, vice-presidente de software para smartwatches, afirmou à CNN que a empresa só adotará novos dispositivos se eles oferecerem funcionalidades superiores aos produtos existentes.
Privacidade ainda é desafio
Embora os dispositivos ofereçam potencial tecnológico, levantam preocupações de privacidade. Óculos inteligentes da Meta e a pulseira Amazon Bee possuem luzes LED para alertar quando estão gravando, mas relatos de gravações não autorizadas continuam a surgir. O Google, que enfrentou polêmicas com o Google Glass em 2013, afirma ter “enorme responsabilidade” na proteção da privacidade do usuário e ressalta a necessidade de avaliar cuidadosamente cada caso de uso.
Asgar admite que o setor precisa demonstrar que esses dispositivos não apenas fazem algo diferente ou melhor do que smartphones, mas também lidam adequadamente com riscos éticos e de segurança. O Snapdragon Wear Elite deve equipar não apenas pingentes e broches, mas também smartwatches, com foco em execução de IA e conectividade constante com outros dispositivos.
A corrida para definir o futuro da tecnologia vestível continua, com fabricantes e startups apostando que a próxima grande revolução pode estar nos acessórios que usamos no corpo, sem telas, mas com potencial para mudar a forma como interagimos com o mundo ao nosso redor.









