
Pesquisa revela que dietas ricas em alimentos ultraprocessados aumentam consumo calórico e interferem na saciedade de pessoas entre 18 e 25 anos
Um estudo publicado em novembro no periódico Obesity indica que dietas com excesso de produtos ultraprocessados podem levar jovens a comer mais do que sentem vontade. A pesquisa analisou o impacto do grau de processamento dos alimentos sobre o consumo calórico e o comportamento alimentar de 27 homens e mulheres, com idade entre 18 e 25 anos e peso estável há pelo menos seis meses.
Durante duas semanas, os participantes foram divididos em dois grupos: um seguiu uma dieta com 81% das calorias provenientes de ultraprocessados, enquanto o outro recebeu alimentação sem esse tipo de produto. Em ambas as intervenções, as refeições foram planejadas para fornecer apenas calorias suficientes à manutenção do peso e equilibradas em 22 características nutricionais, incluindo macronutrientes, fibras, açúcar adicionado, densidade energética, vitaminas e minerais.
Classificação dos alimentos
Para categorizar os itens, os pesquisadores utilizaram o sistema Nova, desenvolvido por especialistas da Universidade de São Paulo, que divide os alimentos conforme o nível de processamento:
In natura ou minimamente processados: frutas frescas, leguminosas e iogurte natural.
Processados: queijos, vegetais enlatados e pães frescos.
Ultraprocessados: refrigerantes, balas, salgadinhos e refeições prontas, caracterizados pelo processamento industrial intenso e presença de aditivos, sódio e açúcar.
Comer mesmo sem fome
No estudo, os voluntários participaram de um teste em buffet de café da manhã, recebendo bandejas com cerca de 1.800 calorias — quatro vezes mais do que um café da manhã padrão nos EUA — e tinham 30 minutos para comer o quanto desejassem. Em seguida, avaliavam cada item quanto ao prazer e familiaridade, podendo optar por continuar ou parar de comer.
Os resultados mostraram que os jovens consumiram mais calorias após o período com dieta rica em ultraprocessados e apresentaram maior tendência a comer mesmo sem fome. Para os pesquisadores, o achado é relevante por isolar o efeito do grau de processamento sobre a ingestão energética, independentemente da composição nutricional da dieta.
Adolescência e hábitos alimentares
Segundo a nutricionista Ana Paula Dorta de Freitas, “o risco de obesidade em jovens vai além da quantidade de calorias e envolve o tipo de alimento consumido. A adolescência é uma janela crítica para a formação de hábitos alimentares, e investir em educação nutricional nesse período pode ter impacto duradouro na saúde”.
Alimentos ultraprocessados tendem a ser altamente palatáveis e podem interferir nos mecanismos de fome e saciedade, por isso devem ser evitados. Especialistas recomendam priorizar alimentos in natura, planejar refeições e prestar atenção aos sinais de fome e saciedade.









