
Nesta segunda-feira (2), o dólar comercial abriu em alta firme frente ao real, refletindo o movimento global de busca por segurança diante da escalada de conflitos no Oriente Médio. A tensão aumentou após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei e na resposta iraniana com disparos de mísseis contra diversos países da região.
Às 10h08, a moeda norte-americana era negociada em alta de 1,40%, cotada a R$ 5,20 na venda. Na última sexta-feira, o dólar à vista havia encerrado em queda de 0,09%, a R$ 5,1344.
Tensão internacional eleva preços de commodities e reduz apetite por risco
O clima de aversão ao risco impulsionou os preços do petróleo e do gás, que registraram forte alta na manhã desta segunda, com reflexos imediatos nos mercados financeiros. Bolsas europeias operavam em queda, enquanto investidores aumentaram a demanda por ativos considerados mais seguros, como o dólar e o ouro.
“O sinal claro é de aversão ao risco. Há uma busca maior por ativos de proteção, e o dólar ganha força não só perante a moeda brasileira, mas em relação às demais”, comentou Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos.
Projeções do mercado antes do conflito
No mais recente Boletim Focus do Banco Central, divulgado na manhã de hoje, o mercado financeiro projetava o dólar em R$ 5,42 ao final de 2026 (ante R$ 5,45 anteriormente). Essas estimativas, porém, foram registradas antes do agravamento do conflito no Oriente Médio e ainda não capturam os impactos da atual conjuntura geopolítica.
As expectativas para a taxa básica de juros, a Selic, indicavam estabilidade ao fim de 2026 em 12% ao ano, com previsão de 10,50% ao final de 2027. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, um diferencial que ajudou a atrair investimentos ao Brasil e colaborou, até recentemente, para manter o real mais forte frente ao dólar.
Real pode ter algum benefício com petróleo mais caro
Alguns economistas veem um possível efeito positivo para a economia brasileira diante da alta das commodities. O Brasil é superavitário na balança de Petróleo e Derivados, o que pode favorecer a moeda nacional.
“O Brasil provavelmente vai ganhar por WO [vitória sem luta], depois de décadas de esforço do próprio país. Não me surpreenderia se o real se apreciasse ainda mais nos próximos dias”, afirma André Perfeito, economista da Garantia Capital.
No entanto, o impacto imediato dos choques geopolíticos tende a fortalecer o dólar globalmente e aumentar a volatilidade nos mercados financeiros, um fator que os investidores seguem monitorando de perto.









