Arrecadação federal cresce 3,56% em janeiro e soma R$ 325,7 bilhões

 

Alta foi impulsionada por atividade econômica resiliente, aumento de tributos e avanço na taxação de apostas e investimentos

 

 

A arrecadação do governo federal registrou alta real de 3,56% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, totalizando R$ 325,751 bilhões. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (24) pela Receita Federal e refletem o impacto de uma atividade econômica considerada resiliente, além de mudanças nas alíquotas e no desempenho de diferentes tributos.

Entre os principais destaques do mês está o aumento na arrecadação do Imposto de Renda sobre rendimentos de capital. Houve crescimento de R$ 3,6 bilhões, equivalente a 32,6% frente a janeiro de 2025. O avanço foi impulsionado por ganhos de contribuintes com aplicações em renda fixa e pelo recolhimento relacionado à distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP) por empresas, cuja alíquota foi elevada de 15% para 17,5% no início do ano.

Outro fator relevante foi a elevação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que gerou arrecadação adicional de R$ 2,6 bilhões no mês, alta de 49% na comparação anual.

A tributação sobre jogos de azar e apostas também contribuiu significativamente para o resultado. A arrecadação saltou de R$ 55 milhões em janeiro de 2025 para R$ 1,5 bilhão em janeiro deste ano, uma alta expressiva de 2.642%, refletindo o aumento das cobranças e a consolidação da regulamentação do setor.

No recorte por tributos, os dados mostram ainda avanço nas receitas previdenciárias, que cresceram 5,48% em termos reais, representando acréscimo de R$ 3,3 bilhões frente ao mesmo período do ano passado. Também houve alta nas receitas de PIS/Cofins (4,35%) e no Imposto de Renda incidente sobre rendimentos do trabalho (4,24%).

De forma mais ampla, os recursos administrados pela Receita Federal — que incluem a coleta de tributos de competência da União — somaram R$ 313,201 bilhões, com crescimento real de 5,21% na comparação anual.

Esse desempenho compensou a queda na arrecadação administrada por outros órgãos, especialmente no que se refere aos royalties do petróleo. A receita desse segmento recuou 25,53% em janeiro, totalizando R$ 12,551 bilhões. Apenas com royalties, a redução foi de R$ 2,8 bilhões, o que representa queda de 19,6%.

O resultado ocorre em meio ao debate sobre o equilíbrio das contas públicas, após o aumento do rombo fiscal registrado neste início de ano.