
Parlamentares da oposição intensificam ofensiva política em meio à crise herdada de operações anteriores, enquanto governo alerta para riscos à economia e à independência do Distrito Federal
A crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) ganhou novos contornos políticos e acendeu um alerta no Palácio do Buriti. Deputados distritais, federais e senadores ligados à oposição ao governador Ibaneis Rocha (MDB) passaram a defender publicamente a federalização — e, em alguns casos, até a liquidação — da instituição financeira pública, considerada um dos principais ativos estratégicos do Distrito Federal.
Nos bastidores, fontes do setor financeiro apontam que a estratégia teria como objetivo enfraquecer o banco e, consequentemente, reduzir a capacidade de investimento e autonomia do governo local. O BRB é responsável por movimentar bilhões em depósitos judiciais, administrar folhas de pagamento e financiar projetos estruturantes que impactam diretamente a economia regional.
A ofensiva ganhou um novo capítulo após o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, determinar que tribunais que operam folhas de pagamento e depósitos judiciais no BRB prestem esclarecimentos urgentes ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A medida gerou questionamentos no meio jurídico e financeiro sobre eventual extrapolação de competência, já que a fiscalização de instituições financeiras é atribuição exclusiva do Banco Central.
Os depósitos judiciais e folhas de pagamento de estados como Maranhão, Bahia, Paraíba, Alagoas e do próprio Distrito Federal são considerados pilares fundamentais para garantir liquidez e estabilidade ao banco. Especialistas alertam que qualquer retirada abrupta desses recursos poderia provocar impacto significativo no equilíbrio financeiro da instituição e, por consequência, na economia local.
Apesar do cenário adverso, o BRB já apresentou ao Banco Central um plano de recuperação estruturado, que inclui venda de ativos, captação de novos recursos e uma proposta de pagamento ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A direção do banco sustenta que os problemas atuais não foram gerados pela gestão atual, mas herdados de operações relacionadas ao Banco Master.
Aliados do governo afirmam que parte da oposição estaria instrumentalizando o momento de instabilidade para enfraquecer politicamente o governo do Distrito Federal. A federalização do banco, segundo essa avaliação, representaria na prática a perda de um dos principais instrumentos de autonomia financeira do DF.
Mais do que uma disputa institucional, o futuro do BRB passou a simbolizar uma batalha política com reflexos diretos sobre a soberania financeira do Distrito Federal. Para o governo local, preservar o banco significa manter a capacidade de investimento, geração de crédito e execução de políticas públicas voltadas à população.









