Incoerência: direita veste esquerda para ludibriar o eleitor

 

José Roberto Arruda, inelegível por decisão da Justiça Eleitoral, tenta apoio velado da esquerda buscando sobreviver no jogo do poder.

Por Mino Pedrosa

 

Na política de Brasília, nada envelhece tão mal quanto quem se recusa a sair de cena. José Roberto Arruda é o exemplo acabado disso. Inelegível por decisão da Justiça Eleitoral, carregando um passado que o eleitor não esqueceu — nem perdoou —, Arruda insiste em se movimentar como se ainda tivesse condições de disputar o Palácio do Buriti.

Não tem.

Sem voto, sem candidatura e sem discurso público, Arruda voltou ao ambiente que conhece bem: os bastidores. É ali, longe da luz, que tenta montar uma estratégia de sobrevivência política. A mais recente é também a mais reveladora: buscar apoio velado na esquerda, justamente no campo político que sempre combateu quando estava no poder.

O apelido de melancia — verde por fora, vermelho por dentro — nunca foi tão atual.

Arruda articula conversas com figuras do campo progressista, como o ex-governador Rodrigo Rollemberg, além de interlocutores ligados ao PT e ao entorno do ex-interventor Ricardo Cappelli. Tudo feito com discrição. Tudo feito sem coragem de assumir publicamente o movimento.

O objetivo é claro: tentar criar obstáculos à candidatura de Celina Leão, que cresce de forma consistente e lidera com larga vantagem as pesquisas de intenção de voto no Distrito Federal e no entorno.

Enquanto Arruda conspira, Celina avança.

Foto: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília

Vice-governadora, com apoio sólido do centrão e de setores expressivos do eleitorado conservador, Celina ocupa o espaço que Arruda perdeu — não por acaso, mas por consequência direta de seus próprios atos. Ela faz campanha à luz do dia. Ele atua nas sombras.

A diferença entre os dois é mais do que política. É jurídica.

Arruda está impedido. Celina está habilitada. Arruda cochicha. Celina fala com o eleitor. Arruda tenta influenciar sem se submeter ao voto. Celina cresce justamente porque se submete a ele.

E há um fator que Arruda insiste em subestimar: a memória do eleitor.