Governo prevê entrega de mais 400 unidades odontológicas móveis até março

Foto: Andressa Anholete / Sesc-DF

 

Ação do programa Brasil Sorridente deve totalizar 800 novos consultórios itinerantes e ampliar o acesso à saúde bucal em áreas remotas e populações vulneráveis

O governo federal projeta entregar mais 400 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) até o mês de março, somando-se às 400 unidades já distribuídas ao longo do ano passado. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (28) pelo coordenador-geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Edson Hilan Gomes de Lucena, durante o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, realizado no Expo Center Norte, na capital paulista.

“No total, vamos somar 800 novas unidades móveis até março, que serão distribuídas para todas as unidades federativas”, afirmou Lucena em entrevista à Agência Brasil.

As UOMs integram o programa Brasil Sorridente, política nacional de saúde bucal que tem como foco levar atendimento odontológico a populações com dificuldade de acesso aos serviços de saúde, como indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, assentados e moradores de áreas rurais e remotas. Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa busca garantir assistência odontológica universal.

As unidades móveis oferecem desde procedimentos de atenção primária até ações especializadas, como tratamentos endodônticos e a confecção de próteses dentárias. Cada veículo funciona como um consultório completo, equipado com cadeira odontológica, aparelho de raio X e instrumentos para restaurações, extrações e ações preventivas, permitindo que equipes de saúde bucal cheguem a territórios distantes.

“O Brasil Sorridente, que é a política nacional de saúde bucal, tem o dever de levar cuidados para toda a população brasileira”, destacou Lucena.

Um exemplo do alcance da iniciativa ocorreu em setembro do ano passado, no município de Mâncio Lima, no Acre, onde uma das unidades móveis possibilitou o atendimento de comunidades ribeirinhas. Para isso, equipes locais construíram uma balsa e instalaram nela a UOM, garantindo que o serviço chegasse às populações por meio do rio.

Durante o congresso, o coordenador-geral também anunciou planos para ampliar a gama de tratamentos oferecidos pelas unidades móveis. A proposta inclui a realização de tratamento de canal e a confecção de próteses dentárias com fluxo digital, tecnologia que utiliza escaneamento da arcada dentária para produzir restaurações de forma mais rápida e precisa.

“Estamos fazendo um piloto para prótese dentária com fluxo digital no município de Cavalcante, em Goiás. Provavelmente na próxima semana estaremos lançando isso”, disse. Segundo ele, 500 kits de equipamentos para o fluxo digital serão doados a diversos municípios do país, permitindo que o paciente saia com a prótese já no retorno ao atendimento.

Criadas em 2009, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as unidades odontológicas móveis tiveram o programa interrompido em 2015. A iniciativa foi retomada apenas em agosto do ano passado, com novos investimentos viabilizados pelo Novo PAC Saúde.

Estudos reforçam a importância das UOMs para a ampliação do acesso à saúde bucal. Um censo coordenado pelo professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ângelo Giuseppe Roncalli Costa Oliveira, avaliou a atuação das unidades em 267 municípios brasileiros até 2017, antes da interrupção do programa.

“Em 75% das unidades que funcionavam, foi unânime o relato de gestores e dentistas sobre a ampliação do acesso”, destacou o pesquisador. Segundo ele, era comum o reconhecimento de que muitas comunidades jamais teriam atendimento odontológico regular sem a presença das unidades móveis.