
Falta de mobilidade, desalinhamento, respiração inadequada e pouca recuperação podem estar travando seu progresso
Você decidiu se exercitar com mais regularidade, passou a frequentar a academia, segue um plano de treino e se esforça para deixar o sedentarismo para trás. Ainda assim, algo parece fora do lugar: em vez de se sentir mais forte e preparado, os treinos continuam difíceis, exaustivos e sem sinais claros de evolução. Essa sensação de estagnação é mais comum do que parece e costuma gerar frustração e desmotivação.
Em teoria, a prática constante de exercícios deveria tornar os movimentos mais fáceis ao longo do tempo. Quando isso não acontece, é sinal de que alguns fatores importantes — e muitas vezes negligenciados — podem estar interferindo no desempenho.
Um dos principais problemas é a falta de mobilidade. Programas de treino que priorizam força e intensidade, mas ignoram a mobilidade articular, acabam sobrecarregando o corpo. Articulações com amplitude de movimento limitada exigem mais esforço para executar os exercícios, gerando tensão, compensações e risco maior de lesões. A mobilidade vai além do simples alongamento: ela envolve controle e movimento funcional em diferentes direções. Incluir exercícios específicos de mobilidade no aquecimento e ao longo do treino ajuda a tornar os movimentos mais eficientes e seguros.
Outro fator frequente é o desalinhamento corporal. Compensações musculares alteram a postura e comprometem a estabilidade. Respiração concentrada apenas no peito, pouca ativação do diafragma, inclinação excessiva da pelve ou postura muito curvada dificultam o engajamento adequado do core. Com isso, os músculos precisam trabalhar mais para estabilizar o corpo, aumentando a fadiga e fazendo exercícios antes administráveis parecerem repentinamente mais difíceis.
Quando alinhamento e estabilidade estão comprometidos, o corpo costuma reagir criando tensão protetora. Essa resposta do sistema nervoso não é um defeito, mas um mecanismo de defesa para evitar lesões. No entanto, quando essa tensão se torna crônica, ela limita o movimento e eleva o esforço necessário até para tarefas simples. Alongar, nesses casos, raramente resolve o problema. O foco deve estar em fortalecer o suporte do corpo, especialmente com exercícios de core que trabalhem força, controle, respiração e coordenação.
A respiração inadequada também tem papel central nesse processo. Respiração superficial, acelerada ou com pausas frequentes aumenta o gasto energético e impede que o corpo desacelere. Além disso, músculos que deveriam se dedicar ao movimento acabam sendo recrutados para estabilizar o tronco, criando ainda mais compensações. Manter respiração nasal no aquecimento, exalações controladas durante o esforço e respirações profundas no desaquecimento ajuda a melhorar tanto o desempenho quanto a recuperação.
Por fim, a recuperação insuficiente é um dos maiores limitadores do progresso. Quando o sistema nervoso permanece em estado de alerta e o corpo não se recupera adequadamente entre os treinos, a adaptação não acontece. Rigidez constante, dores prolongadas e a sensação de que o esforço nunca diminui são sinais claros de alerta. Recuperar-se não é apenas descansar: envolve sono de qualidade, alimentação adequada, manejo do estresse, mobilidade leve e práticas mente-corpo, como yoga suave ou tai chi.
Todos esses fatores estão interligados. Mobilidade limitada afeta o alinhamento, o desalinhamento gera tensão, a tensão altera a respiração e a respiração prejudica a recuperação. Quando esse ciclo se instala, os treinos continuam difíceis, independentemente da consistência.
Identificar e corrigir esses pontos é essencial para que o exercício volte a cumprir seu papel: fortalecer o corpo, melhorar a capacidade física e tornar o movimento cada vez mais eficiente e sustentável ao longo do tempo.









