Morre aos 55 anos Arlindo de Souza, o “Popeye Brasileiro”

@arlindoanomalia/Facebook

Morreu aos 55 anos, o olindense Arlindo de Souza, conhecido nacionalmente como “Popeye Brasileiro”, personagem que ganhou notoriedade após participar de programas de televisão exibindo músculos exageradamente volumosos nos braços. A aparência incomum era resultado da aplicação de óleo mineral, prática amplamente condenada por profissionais de saúde.

A causa da morte não foi divulgada. Arlindo faleceu na madrugada de terça-feira (13), no Hospital Otávio de Freitas, no bairro de Tejipió, na zona oeste do Recife. Morador de Águas Compridas, em Olinda, ele estava internado desde dezembro. O sepultamento foi marcado para a tarde desta quarta-feira (13), no Cemitério de Águas Compridas.

Pedreiro de profissão, Arlindo chamou atenção do público pelo físico fora dos padrões, que o levou a ser comparado ao personagem Popeye, famoso marinheiro de desenho animado. O caso dele reacendeu o debate sobre o uso de substâncias ilícitas para aumento de massa muscular, como anabolizantes, óleo mineral e álcool, práticas associadas a riscos graves à saúde.

O cardiologista Anis Mitri, presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP), alerta que o uso de hormônios anabolizantes, sintéticos ou não, pode provocar inúmeros efeitos colaterais, especialmente quando utilizados em altas doses. Entre os riscos estão dependência, formação de coágulos no sangue, que podem levar a acidente vascular cerebral (AVC), infarto e derrame, além de possíveis efeitos oncológicos, como câncer de próstata, mama e tireoide.

“Você não consegue controlar qual é a dose segura. Também existem efeitos psíquicos e psicológicos, como agressividade e nervosismo, além de queda de cabelo, prurido, vermelhidão da pele e aumento da pressão arterial. Tudo isso torna os hormônios extremamente perigosos”, afirmou o médico. Mitri acrescenta ainda que a injeção de óleo mineral na musculatura pode causar gangrena, apodrecimento dos músculos e trombose.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) também alerta que o uso de testosterona sem acompanhamento médico representa risco elevado e pode provocar danos irreversíveis ao organismo. Segundo a entidade, o uso indiscriminado da substância tornou-se um problema de saúde pública, com crescimento nos casos de complicações.

Entre os efeitos citados estão acne, queda de cabelo, distúrbios e tumores no fígado, alterações psiquiátricas, coágulos sanguíneos, retenção de líquidos, hipertensão e risco de contrair doenças transmissíveis.

Diante desses riscos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu, em abril de 2023, a prescrição médica de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes para fins estéticos, como ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo. A decisão se baseou na falta de comprovação científica sobre os benefícios e na necessidade de proteger a segurança dos pacientes.

A trajetória de Arlindo de Souza deixa um alerta sobre os perigos do uso indiscriminado de substâncias para modificação corporal e reforça a importância de orientação médica e informação para a prevenção de danos à saúde.