
Decisão inédita da Nasa prioriza saúde de astronauta e reduz temporariamente número de tripulantes no laboratório orbital
Quatro astronautas estão prestes a deixar a Estação Espacial Internacional (ISS) de forma antecipada e sem precedentes, após a identificação de um problema médico em um dos tripulantes da missão Crew-11. A decisão, tomada pela Nasa, reduzirá temporariamente a equipe a bordo da estação para apenas três pessoas, um cenário considerado menos que ideal pela agência espacial americana.
Quando a cápsula Crew Dragon, da SpaceX, se desacoplar da ISS, permanecerão no laboratório orbital apenas os cosmonautas russos Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev, da Roscosmos, e o astronauta americano Chris Williams, da Nasa. A partida será transmitida ao vivo pela plataforma NASA+ a partir das 18h45 (horário de Brasília) desta quarta-feira (14), com previsão de desacoplagem por volta das 19h.
A decisão foi anunciada na semana passada pelo novo administrador da Nasa, Jared Isaacman, após o cancelamento de uma caminhada espacial programada para janeiro. Segundo ele, a prioridade absoluta da agência continua sendo a segurança e o bem-estar dos astronautas. “Por mais de 60 anos, a Nasa estabeleceu o padrão de segurança em voos espaciais tripulados. A saúde e o bem-estar de nossos astronautas sempre foram e serão nossa maior prioridade”, afirmou.
Fazem parte da Crew-11 os astronautas americanos Mike Fincke e Zena Cardman, o japonês Kimiya Yui, da JAXA, e o cosmonauta russo Oleg Platonov. A Nasa não divulgou qual membro da tripulação enfrenta o problema médico nem detalhes sobre a condição, citando questões de privacidade, mas informou que o astronauta está em condição estável. “Todos a bordo estão estáveis, seguros e bem cuidados”, declarou Fincke em publicação no LinkedIn, classificando a decisão como “correta, ainda que agridoce”.
A cápsula com a tripulação deve amerissar no Oceano Pacífico por volta das 5h40 da manhã de quinta-feira (15), no horário de Brasília. Paralelamente, a Nasa trabalha para antecipar o lançamento da missão Crew-12, originalmente prevista para meados de fevereiro.
Embora a ISS não opere com uma equipe tão reduzida há anos, a situação não é totalmente inédita. Antes de 2020, quando a SpaceX passou a realizar regularmente missões de rotação de tripulação, a estação chegou a funcionar com menos astronautas. Ainda assim, a redução implica limitações práticas: algumas tarefas e pesquisas terão de ser adiadas, incluindo caminhadas espaciais planejadas para a instalação de novos painéis solares.
Segundo Amit Kshatriya, administrador associado da Nasa, os três tripulantes restantes estão plenamente treinados para manter as operações e pesquisas essenciais até a chegada de reforços. Ex-astronautas, porém, alertam para os riscos adicionais, especialmente em caso de falhas externas na estação, que exigiriam caminhadas espaciais complexas.
A Nasa reforça que manter a ISS plenamente tripulada é estratégico para maximizar a produção científica do laboratório orbital, que custa cerca de US$ 3 bilhões por ano para operar e deve ser aposentado no início da próxima década. Para Isaacman, extrair o máximo de ciência da estação é essencial para viabilizar futuras estações espaciais comerciais.
Enquanto isso, Chris Williams terá um período mais solitário no segmento americano da ISS, dividido apenas com seus colegas russos. Apesar do atual clima geopolítico entre Estados Unidos e Rússia, a cooperação no espaço segue como prioridade. “Eles simplesmente não falam de política”, resumiu o ex-astronauta Garret Reisman, ao comentar a convivência a bordo da estação.









