Ministério da Saúde envia Força Nacional do SUS a Roraima

© Valter Campanato/Agência Brasil

O Ministério da Saúde enviou uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para o estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, com o objetivo de avaliar a capacidade da rede de saúde, incluindo estruturas hospitalares, disponibilidade de profissionais, vacinas e outros insumos estratégicos.

Em nota oficial, a pasta informou que está estruturando um plano de contingência para a resposta do SUS a um possível agravamento da crise internacional e a um eventual aumento da demanda de migrantes na região fronteiriça, após um ataque conduzido pelo governo norte-americano. Segundo o ministério, até o momento, o fluxo migratório permanece dentro da normalidade.

As equipes enviadas a Roraima, de acordo com o comunicado, possuem experiência em situações de emergência e tragédias, e já iniciaram o mapeamento das estruturas hospitalares existentes, além da avaliação da possibilidade de ampliação da capacidade de atendimento. Caso seja necessário, o governo federal informou que poderá montar hospitais de campanha e expandir unidades já existentes para reduzir impactos sobre o sistema público de saúde.

O Ministério da Saúde também declarou estar à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para ações de ajuda humanitária, incluindo o fornecimento de medicamentos e insumos para tratamentos de diálise. A medida considera a destruição do principal centro de distribuição da cidade de La Guaira, na Venezuela, após um ataque.

“O Ministério da Saúde reafirma o papel do SUS como referência internacional ao garantir assistência médica integral a todas as pessoas em solo nacional. Para imigrantes em cidades de fronteira, esse direito é assegurado, independentemente do status migratório ou da nacionalidade”, conclui a nota.

Contexto internacional

No sábado (3), explosões foram registradas em bairros de Caracas, capital da Venezuela, durante um ataque militar atribuído aos Estados Unidos. No mesmo episódio, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores teriam sido capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.

O ataque é apontado por analistas como mais um episódio de intervenção direta dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão militar norte-americana a um país da região ocorreu em 1989, no Panamá, quando o então presidente Manuel Noriega foi sequestrado sob acusação de envolvimento com o narcotráfico.

Assim como no caso panamenho, o governo dos Estados Unidos acusa Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano conhecido como De Los Soles, alegação que, segundo especialistas em tráfico internacional de drogas, carece de comprovação. Durante o governo do presidente Donald Trump, chegou a ser oferecida uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.

Para críticos da ação, a ofensiva tem motivações geopolíticas, com o objetivo de afastar a Venezuela de aliados estratégicos dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de ampliar o controle sobre o petróleo venezuelano, já que o país detém as maiores reservas comprovadas de óleo do planeta.