
Medida visa reindustrialização americana, mas pode causar crise no comércio internacional
O governo dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (2), a aplicação de novas tarifas a todos os seus parceiros comerciais. A medida, defendida pelo presidente Donald Trump, busca recuperar a competitividade da indústria americana e reduzir o déficit comercial, que ultrapassa US$ 1 trilhão ao ano.
Especialistas alertam que o tarifaço representa um choque brutal para a economia global, o maior desde os anos 1930. O economista Paulo Gala, do Banco Master, destaca que a Ásia, principal alvo das tarifas, investiu fortemente em inovação e políticas industriais nas últimas décadas, tornando-se um grande polo de produção.
As tarifas foram estabelecidas em níveis diferenciados: 10% para países da América Latina, 20% para a Europa e 30% para a Ásia. Segundo Gala, a decisão pode elevar a inflação nos EUA, encarecendo produtos como chips, máquinas e eletrônicos. Além disso, a falta de reciprocidade nas tarifas levanta questionamentos sobre possíveis retaliações por parte de outros países.
O Brasil, que recebeu a menor taxação (10%), pode sofrer impactos indiretos, principalmente em setores dependentes do mercado americano, como a Embraer. No entanto, analistas apontam que a crise pode abrir oportunidades para o país ampliar suas exportações, caso consiga se posicionar como alternativa no comércio global.