Taxa de Desocupação no Brasil Chega a 6,8% no Trimestre Encerrado em Fevereiro

Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília.

 

Número de desempregados sobe em relação ao trimestre anterior, mas é o menor índice para o período desde 2014, aponta IBGE.

 

A taxa de desocupação no Brasil no trimestre encerrado em fevereiro de 2025 foi de 6,8%, o que representa uma elevação de 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre móvel anterior, que registrou 6,1%. No entanto, esse é o menor índice para um trimestre encerrado em fevereiro desde 2014, quando o valor também foi de 6,8%.

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro.

A coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy, explicou que o aumento da taxa de desocupação em relação ao trimestre anterior é um fenômeno sazonal. Segundo ela, “esse movimento de queda na ocupação é esperado devido à transição do fim de um ano para os primeiros meses do ano seguinte”, o que é comum no mercado de trabalho.

Número de Desempregados

O número de pessoas sem trabalho no período atingiu 7,5 milhões, o que representa uma elevação de 10,4% em relação ao trimestre móvel anterior. Entretanto, esse contingente é 12,5% menor do que o registrado no mesmo período de 2024, o que mostra uma redução considerável em relação ao ano passado.

Desempenho dos Setores

Entre os dez grupamentos de atividade pesquisados pelo IBGE, três apresentaram recuo no número de ocupados:

  • Construção: diminuição de 4,0%, ou menos 310 mil pessoas;

  • Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: redução de 2,5%, ou menos 468 mil pessoas;

  • Serviços domésticos: queda de 4,8%, ou menos 290 mil pessoas.

Adriana Beringuy explicou que a redução de vagas no setor de administração pública também é sazonal, relacionada ao fim dos contratos de trabalhadores temporários.

O Impacto da Taxa de Juros

Embora o cenário de aumento da desocupação seja observado, a coordenadora da pesquisa destacou que não é possível atribuir esse comportamento ao aumento da taxa de juros, adotada pelo Banco Central para conter a inflação. “Não podemos afirmar que o aumento da taxa de juros tenha afetado diretamente o mercado de trabalho”, afirmou Beringuy.

Ocupação e Carteira Assinada

A população ocupada no país no trimestre encerrado em fevereiro foi de 102,7 milhões de pessoas, o que representa uma redução de 1,2% (1,2 milhão a menos) em comparação ao trimestre anterior. Contudo, esse número é 2,4% superior ao do mesmo período do ano passado, o que significa um aumento de 2,4 milhões de pessoas em relação a fevereiro de 2024.

Em relação à formalização do trabalho, o Brasil atingiu um recorde no número de trabalhadores com carteira assinada, totalizando 39,6 milhões de contratos, o maior número desde o início da série histórica, em 2012. Em comparação ao ano passado, houve um aumento de 1,6 milhão de pessoas (+4,1%) com contrato formal.

Informalidade no Mercado de Trabalho

Apesar do aumento do número de trabalhadores com carteira assinada, a taxa de informalidade no Brasil segue significativa. A pesquisa aponta que 38,1% da população ocupada está em situações informais, o que corresponde a 39,1 milhões de pessoas. Embora a taxa tenha apresentado uma “ligeira redução” em relação aos 38,7% observados no trimestre anterior e no mesmo período de 2024, a informalidade continua sendo um desafio para o mercado de trabalho brasileiro.

A pesquisa do IBGE, que abrange todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporária ou por conta própria, foi realizada em 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal, abrangendo pessoas com 14 anos ou mais.