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Léo Índio Confirma Estar na Argentina Há Mais de 20 Dias Após Participação nos Atos Golpistas de 8 de Janeiro

© Joédson Alves/Agencia Brasil

 

Réu por envolvimento na invasão dos Três Poderes, primo de filhos de Bolsonaro tem permissão para permanecer até junho, conforme documentos apresentados ao STF.

A defesa de Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio, confirmou nesta sexta-feira (28) que ele está na Argentina há mais de 20 dias. Réu por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando os prédios dos Três Poderes em Brasília foram invadidos e depredados, Léo Índio é primo dos três filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A confirmação veio após uma intimação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que solicitou à defesa esclarecimentos sobre uma declaração de Léo Índio. Em um vídeo divulgado por uma rádio do interior do Paraná, ele afirmou estar na Argentina por temer ser preso.

Em resposta, a advogada do réu enviou ao STF um documento das autoridades migratórias argentinas, que confirma a permissão de Léo Índio para permanecer no país até o dia 4 de junho de 2025. O documento também destaca que ele tem permissão para trabalhar, estudar e acessar os serviços públicos de saúde no país. A entrada de Léo Índio na Argentina se deu pela cidade de Puerto Iguazú, localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná. Além disso, foi informado que a permanência pode ser renovada caso ele faça o pedido antes do vencimento da autorização.

Envolvimento nos Atos de 8 de Janeiro

Léo Índio foi formalmente denunciado pelo Supremo Tribunal Federal após participação nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O julgamento da denúncia, realizado no mês passado, resultou na decisão de torná-lo réu, e o processo segue em andamento. Durante as investigações, a Procuradoria-Geral da República (PGR) destacou que Léo Índio publicou imagens nas redes sociais durante a invasão aos prédios públicos. Em uma das imagens, ele aparece sobre o prédio principal do Congresso Nacional, e em outra, perto da sede do Supremo Tribunal Federal (STF). Esses registros foram apresentados como evidência de sua participação na depredação dos edifícios.

O réu enfrentará acusações de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, associação criminosa, dano qualificado à União, e deterioração de patrimônio tombado. Durante o julgamento da denúncia, a defesa de Léo Índio negou as acusações e argumentou que o caso deveria ser remetido à primeira instância, já que ele não ocupa cargo com foro privilegiado no STF. Essa argumentação foi rejeitada pela Corte, que decidiu que o caso deveria seguir no âmbito do Supremo.

Próximos Passos no Processo

Na sexta-feira (28), o Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento do recurso apresentado pela defesa de Léo Índio, que buscava reverter a decisão de abertura da ação penal. Com a maioria dos votos contrários, a Corte manteve a decisão de seguir com o processo, que agora segue para a fase de instrução.

Com a continuidade do processo no STF, Léo Índio enfrenta uma série de acusações graves em um dos maiores processos relacionados aos eventos de 8 de janeiro de 2023, que envolveram invasões violentas a instituições-chave da democracia brasileira.