Ministério da Fazenda Reduz Projeção de Crescimento do PIB para 2023 e Revisa Inflação em Boletim Macrofiscal

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Expectativa de crescimento do PIB é ajustada de 3,2% para 3%, enquanto inflação pelo IPCA recua para 4,66%; perspectiva de aceleração econômica no quarto trimestre é mantida

 

 

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda anunciou uma revisão para baixo nas projeções econômicas para 2023, conforme divulgado no Boletim Macrofiscal nesta terça-feira (21). A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi reduzida de 3,2% para 3%, motivada, em parte, pela expectativa de crescimento zero no terceiro trimestre.

O Ministério atribui a revisão à desaceleração nos setores de serviços e agropecuária, indicando projeções menos otimistas para o restante do ano. Além disso, a estimativa para o crescimento econômico em 2024 também sofreu um ajuste, passando de 2,3% para 2,2%.

Apesar dessas revisões, o governo mantém a perspectiva de uma aceleração na atividade econômica no quarto trimestre, impulsionada por subsetores menos sensíveis ao ciclo econômico e pela manutenção do consumo das famílias.

As projeções setoriais para 2023 divergem, com a projeção para o setor agropecuário mantida em 14%, a indústria avançando de 1,5% para 1,9%, e os serviços reduzindo de 2,5% para 2,2%.

Guilherme Mello, secretário de Política Econômica, destacou melhorias significativas no mercado de crédito após a queda dos juros. Ele ressaltou que a concessão de crédito para pessoas físicas e jurídicas está em recuperação, contribuindo para a tendência de crescimento, aproximando-se dos patamares de 2021 e 2022.

Em relação à inflação, a projeção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 4,85% para 4,66%, ficando levemente abaixo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ano. Para 2024, a estimativa subiu de 3,4% para 3,55%.

A SPE destaca que a desinflação ocorreu mais rapidamente do que o inicialmente projetado, principalmente nos componentes subjacentes. Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado para calcular o salário mínimo, a projeção é de 4,04%, contra 4,36% previstos anteriormente.

O Boletim Macrofiscal também aborda o médio prazo, atribuindo a desaceleração econômica para 2024 a fatores externos, como conflitos geopolíticos, desaceleração do crescimento chinês e manutenção dos juros americanos em patamares elevados. Internamente, destaca-se a desaceleração da agropecuária após um desempenho recorde em 2023.

Os números do Boletim Macrofiscal serão utilizados no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas, a ser divulgado nesta quarta-feira (22), influenciando as projeções para o Orçamento com base no desempenho das receitas e despesas do governo.