© Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Há mais de um mês, bioma enfrenta crise histórica com aumento de mais de 1.400% nos focos de incêndio em relação ao ano anterior

 

 

O Pantanal, tesouro natural brasileiro, enfrenta uma crise incendiária sem precedentes, com o fogo consumindo vastas áreas há mais de um mês. Em apenas 16 dias de novembro deste ano, o bioma registrou 3.098 focos de incêndio, estabelecendo um recorde histórico para o mês desde 2002, quando foram contabilizados 2.328 focos. O aumento em relação ao mesmo período de 2022 ultrapassa assustadores 1.400%, segundo o Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

As condições meteorológicas adversas, marcadas pelo tempo seco e uma intensa onda de calor, têm contribuído para a proliferação dos incêndios, que causam devastação na vegetação e ameaçam a fauna local. Recentemente, as chamas chegaram a invadir a rodovia Transpantaneira, sendo contidas por equipes de brigadistas antes de atingirem áreas habitadas.

A situação levou os governos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, estados que abrigam o Pantanal, a decretarem estado de emergência na região norte do bioma, mobilizando recursos e esforços para combater as chamas.

Investigações em Curso: Raios ou Ação Humana?

Enquanto o Pantanal arde, as causas dos incêndios permanecem sob investigação. Especialistas analisam se o fogo teve origem em descargas elétricas ou se foi resultado de ações humanas. O climatologista Carlos Nobre, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, ressalta a complexidade da situação: “Não foi possível esclarecer se todos os incêndios no Pantanal se iniciaram com um raio, uma descarga elétrica, ou não, como em 2020, quando muitos foram por crime ambiental, alguém botando fogo para destruir a vegetação”.

Em 2020, o Pantanal enfrentou uma devastação histórica, com mais de 30% do território queimado, equivalente a 44.998 quilômetros quadrados. Recentemente, em 21 de outubro deste ano, três raios atingiram áreas sensíveis, exigindo um reforço significativo nas equipes de brigadistas para conter as chamas.

Atualmente, mais de 300 servidores, apoiados por quatro aeronaves e veículos especiais, estão engajados no combate aos incêndios. O contingente foi reforçado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), evidenciando a gravidade da situação e a necessidade de uma resposta coordenada para preservar esse ecossistema único.