Ibaneis visita laboratório que deverá produzir a Sputnik V no Brasil

Imagens: Renato Alves / Agência Brasília

 

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), em visita à ao laboratório União Química Nacional S/A, nesta segunda-feira (25), o qual produzirá a vacina Sputnik V, contra a Covid-19 — em parceria com o Fundo de Investimentos Diretos da Rússia (RDIF), no Polo de Desenvolvimento JK, em Santa Maria-DF, disse que estima iniciar a imunização de professores do DF contra a Covid-19 em março. A produção do imunizante só será iniciada com a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Eu espero que até março, no início das aulas, a gente possa vacinar os nossos professores, para iniciar também as aulas (da rede pública) no Distrito Federal de forma presencial”, declarou.

“O retorno das aulas presenciais está previsto para 8 de março. Queremos proteger os nossos professores, para que a gente possa ter um nível de segurança maior”, explicou  Ibaneis Rocha.

O governador deixou claro que o GDF não tenciona comprar a vacina russa, após possível autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Aqui no DF eu sigo o Plano Nacional de Imunização, e tem dado certo. As vacinas que têm chegado são distribuídas de forma racional pelo Ministério da Saúde. O ministro Pazuello (da Saúde) tem feito essa distribuição de forma proporcional. Então, eu acredito que não deva se instalar uma corrida entre os estados para a compra da vacina. Nós temos de ter a vacina em quantidade para toda a população brasileira, porque, senão, nós não vamos conseguir atingir o que nós todos pretendemos, que é a imunização da população como um todo, diminuindo essa doença em todo o país”, completou o governador.

Vale ressaltar que a Sputnik V é produzida na unidade Bthek Biotecnologia, instalada no Polo JK, em Santa Maria. A fábrica, que pertence ao grupo União Química, produz o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da vacina em parceria com os russos.

“Nos deixa muito felizes ter uma fábrica como a União Química no DF. E não é só pelo o que eles já produzem, mas por toda a tecnologia. Tive a oportunidade de ver o desenvolvimento dessa vacina, que é tão aguardada por toda a população brasileira. Nós vamos produzir a vacina aqui no DF”, pontuou Ibaneis Rocha.

União Química Nacional S/A

O CEO da União Química, Fernando de Castro Marques, afirmou que o pessoal da área regulatória tem tido reuniões praticamente diárias com a Anvisa para atender todos os requisitos necessários para a liberação do uso emergencial. “Uma vez que a Rússia nos disponibilizou 10 milhões para serem envasados no mesmo primeiro trimestre, por questão da emergência. Agora, os requisitos para a área regulatória para os requisitos definitivos no Brasil, estamos tratando com a Anvisa e estamos aguardando a aprovação da fase 3 para começar de imediato. E assim que aprovada a gente passa a ter o registro definitivo e passamos a produzir direto para atender o mercado brasileiro e da América Latina.

Lote de vacina piloto

Sobre o lote piloto, ele informou que é o que precede a produção e validar isso de caráter regulatório, seja em qualquer país. “A parte regulatória é primordial para a companhia que fabrica medicamentos e vacinas”, observou Marques.

No Brasil é necessário fazer a vacina piloto e baseado nessa fase é que ela vai obter o registro do governo federal.

“Temos certeza que (a vacina) vai ser aprovada aqui. Não temos dúvida nenhuma, o detalhe é que conseguimos atender todos os requisitos exigidos pela nossa lei e pela regulação sanitária da Anvisa”, disse.

No início de fevereiro o projeto piloto ficará pronto. A expectativa é que no primeiro bimestre a fase seja superada, mais precisamente, até o final de fevereiro.

“Estamos correndo contra o relógio, com relação a equipamento, qualificação para não perder tempo. Tudo o que a gente conseguir fazer para ganhar tempo, vamos fazer. A pandemia é muito veloz. Quanto antes a gente tiver vacina, menos pessoas vão morrer. Esse é o ponto principal da companhia. Temos que fazer a coisa correta, mas não podemos perder tempo”, enfatizou Marques.

A União Química trabalha com a projeção de que, “no mês de abril, estará produzindo alguma coisa da ordem de 8 milhões de unidades por mês”. O que para um ano são quase 100 milhões, 96 milhões de unidades. Isso é muito importante, o acesso a tecnologia, o IFA está sendo feito no Brasil. Não é importando daqui ou dali, pode embarcar, não pode embarcar. Temos que interceder junto a governos. Pedir pelo amor de Deus para embarcar.”

Na visão de Marques, o Brasil é país tem que ter produção verticalizada, não pode ficar dependendo.

“Somos uma grande nação. E temos que produzir vacinas com novas tecnologias para o nosso país. Não ter dependência externa. Isso aí é muito claro numa pandemia dessas. Não somos prioridades para as grandes companhias. Primeiro elas atenderam aos Estados Unidos. Quando é que chega a vacina aqui para a gente? Eu acho que é uma coisa que o governo tem que estar atento com relação a isso. Ter produção local verticalizada no país”, arrematou o CEO.

Para ele, ainda, o Brasil tem que entregar a vacina do Oiapoque ao Chuí, dentro programa brasileiro de imunização, sem atender estados individualmente. Marques citou ainda que há uma fábrica construída em Guarulhos que está preparada para produzir vacinas assim que a Anvisa liberar a produção.

“Entre hoje e amanhã devemos ter a aprovação da fase 3. A própria Rússia já fez a fase 3. Primeiro com 12 mil pacientes. Depois com 22 mil soviéticos. Ela já conseguiu registro junto à OPAS, junto à Organização Mundial da Saúde. Evidente que a nossa regularização é elevada é de país desenvolvido. E nós vamos fazer tudo para atender as demandas da nossa legislação

O laboratório

A União Química Nacional S/A é uma empresa de capital 100% nacional, com 85 anos de atividade no Brasil. Tem atuação em cinco unidades de negócios. São eles: Agener, Farma, Genom, Hospitalar e Terceirização.

Segundo a própria empresa, figura entre as maiores indústrias farmacêuticas da América Latina. Além disso, em 2018 a União Química iniciou a internacionalização, quando comprou uma unidade fabril no Estados Unidos da América.

“Nenhum país sozinho pode ganhar essa guerra”

O embaixador da Rússia, Sergey Pogossovitch Akopov, que estava presente na visita ao laboratório da União Química, afirmou primeiramente que a humanidade, hoje, está em guerra contra um inimigo invisível, mortal e muito difícil de combater. Não é só a política do governo russo de se encontrar um método de proteger a população do mundo todo, em que mais vacina houver será bom para o mundo todo. “Hoje em dia, nenhum país sozinho pode ganhar essa guerra. Queremos unir todos os esforços em todas as nações do mundo para combater essa pandemia.

Akopov ressaltou a importância do projeto da União Química, destacando que é uma empresa nacional de capital nacional que está, em primeiro lugar, ungida para atender as necessidades do Brasil.

“O fundo soberano russo já escolheu o Brasil como um dos parceiros para produzir a vacina partiu de que é o único país da América Latina capaz industrialmente de produzir essa vacina que é uma produção de altíssima tecnologia. Essa visita que o governador (Ibaneis Rocha) que todos fizemos à fábrica mostra que realmente o Brasil tem tecnologia. Estamos absolutamente convencidos de que  daqui a pouco o Brasil vai começar a produzir sua própria vacina”, concluiu o embaixador.

Ibaneis Rocha, durante toda a visita, esteve ladeado pelo diretor de Negócios Internacionais da União Química, Rogério Rosso; do embaixador russo Sergey Akopov; e de uma comitiva de secretários locais, como o de Saúde, Osnei Okumoto; de Economia, André Clemente; de Governo, José Humberto Pires; da Casa Civil, Gustavo Rocha; de Justiça, Marcela Passamani; de Empreendedorismo, Mauro da Mata; e da administradora regional de Santa Maria, Marileide Romão.